E finalmente caiu o embargo e podemos falar sobre “The Batman”, um dos filmes mais aguardados do ano. Dirigido por Matt Reeves e protagonizado por Robert Pattinson, o longa é uma releitura do personagem da DC. Na minha humilde opinião, um resgate do herói original dos quadrinhos e, sim, com uma familiaridade à perspectiva de quem era o Batman aos olhos de Tim Burton, diretor consagrado pelas duas primeiras sequências do filme nos anos 1990 –“Batman” (1989) e “Batman: O Retorno” (1992).

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Cena de ‘The Batman’, que estreia em 2022. Imagem: Warner Bros/Divulgação

Começo confirmando tudo o que a crítica internacional exaltou – confira aqui – além de acrescentar que Reeves também não mentiu quando disse que o longa era “quase um filme de terror”. Realmente o clima sombrio e o suspense o colocam na categoria. Contudo, não significa que o ar depressivo seja o forte de Pattinson como Bruce Wayne, o que misteriosamente é totalmente reversível quando o ator incorpora o Batman – novamente citando os próprios atores: Zoë Kravitz, intérprete da Mulher-Gato no filme, avisou que o colega simplesmente estava de outro mundo. É verdade!

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Não sou fã de adjetivos em texto de crítica (ou qualquer outro), mas ele ficou incrível, é possível sentir o ódio quando ele veste a capa e máscara preta. Não há luxo e o estigma de playboy, como em outras versões. É o Batman em sua vingança, descobrindo assim o seu propósito. Claro que, por uma visão viciada ou não do telespectador em relação ao ator, ele ainda pode se apresentar “juvenil”, principalmente para os fiéis às HQs, contudo, preciso ressaltar que o Batman de Pattinson derrubou o meu preconceito – e provavelmente de outros – com sua atuação devido à saga “Crepúsculo” (Todo meu respeito a quem gosta da franquia).

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Algumas críticas acusaram a produção de apostar em excessos, mas acredito que a medida foi a certa, o filme não tem floreios e sem lutas mirabolantes que vão além das capacidades do personagem. Além disso, o enredo consegue prender por todas as longas três horas – apesar de uma falta de ritmo no meio, algo até comum em filmes muito longos. Também é perceptível a referência ao “Assassino do Zodíaco”, que Reeves já havia indicado que serviu de inspiração para o seu Charada, vivido por Paul Dano em “The Batman” que, por sinal, conseguiu transmitir com maestria a essência psicopata do vilão.

E por falar em personagens e inspiração, tanto o Pinguim de Colin Farrell, como o Falcone de John Turturro são a personificação de “O Poderoso Chefão”, trazendo ainda mais o filme para o gênero noir investigativo. Na verdade, para ser mais noir só deixando o longa em preto e branco – o que quase acontece devido as imagens capricharem no tom de azul na tentativa de captar ainda mais frieza e tristeza. Por outro lado, já referente à Kravitz, acredito que aproveitaram pouco do que ela tinha para oferecer, bem como a quase nenhuma química entre ela e Pattinson – muitos discordam.

A DC é conhecida por manter bem suas histórias em quadrinhos nos filmes e em “The Batman” ela não faz diferente. Além de apresentar um novo Batman (ou recuperar um Batman velha-guarda), ele tenta manter a originalidade do personagem e as histórias e impulsos que o rodeiam, na forma mais bruta, psicológica e crua possível. Matt Reeves é conhecido por sua trilogia “Planeta dos Macacos” e possivelmente tentará continuar sua releitura de Batman, já que o filme deixa espaço para isso e o próprio Pattinson também mencionou o desejo de iniciar uma franquia.

“The Batman” estreia dia 3 de março nos cinemas brasileiros. Para quem preferir aguardar o streaming, o filme chega à HBO Max em 19 de abril.

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