Na madrugada desta sexta-feira (4), as forças armadas russas bombardearam a usina nuclear de Zaporizhzhia, na cidade ucraniana de Enerhodar, no sul do país. O incêndio provocado pelos ataques aéreos à maior central nuclear da Europa representou “ameaça real de perigo nuclear”, segundo o Serviço de Estado da Ucrânia para Emergência.

Felizmente, nenhum dos seis reatores da central – que é responsável por um quarto da energia da Ucrânia – foi atingido, o fogo já foi controlado e não houve liberação de material radioativo, de acordo com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), Rafael Grossi. No entanto, três militares ucranianos foram mortos e dois ficaram feridos. Segundo Grossi, funcionários ucranianos continuam a operar as instalações nucleares, que está sob controle das forças russas desde a segunda-feira (28).

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No Twitter, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, afirmou que se a usina explodisse seria “dez vezes maior que Chernobyl“, referindo-se ao episódio ocorrido em 1986 que ficou conhecido como o maior acidente nuclear da história.

Rússia diz que “grupo de sabotagem” ucraniano atacou sua Guarda Nacional

De acordo com Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa russo, a situação foi provocada pelos ucranianos. “Na noite passada, no território adjacente à usina, foi feita uma tentativa, pelo regime nacionalista de Kiev, de realizar monstruosa provocação”, disse Konashenkov. “Em 4 de março, por volta das 2h [21h do dia 3, pelo horário de Brasília], em território próximo à usina nuclear de Zaporizhzhia, a patrulha móvel da Guarda Nacional foi atacada por um grupo de sabotagem ucraniano. Para provocar um incêndio no edifício, foi aberto fogo, com forte ataque com armas leves, contra os soldados da Guarda Nacional Russa, a partir das janelas de vários andares de um complexo de treinamento localizado fora da central elétrica”, afirmou o porta-voz, dizendo que a patrulha russa revidou os disparos para suprimir o ataque, e o “grupo de sabotagem” abandonou o complexo de treinamento, incendiando-o enquanto saía.

Na véspera, autoridades ucranianas tinham relatado que as forças militares russas estavam a caminho de Zaporizhzhia, enquanto apelavam ao Ocidente para fechar o espaço aéreo sobre as centrais nucleares.

Segundo relatos, “tiros altos” foram ouvidos na cidade de Enerhodar. “Muitos jovens com roupas desportivas e armados com kalashnikovs [fuzis de alto calibre] entraram na cidade, arrombando portas e tentando entrar nos apartamentos”, afirmou a Empresa Nacional de Geração de Energia Nuclear da Ucrânia (Energoatom) em comunicado.

Denys Shmyhal, primeiro-ministro ucraniano, juntou-se ao presidente Volodymyr Zelensky para pedir ao Ocidente que feche o espaço aéreo sobre as centrais nucleares da Ucrânia.

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Shmyhal revelou que a solicitação foi feita à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à Agência Internacional de Energia Atômica, o órgão de vigilância da Organização das Nações Unidas (ONU). “Fechem os céus sobre a Ucrânia. É uma questão de segurança para o mundo inteiro”, alertou o governante.

Alegando que a medida poderia colocar os militares russos e ocidentais em confronto direto, os EUA e a Otan descartaram a criação de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia.

Guerra contra a Ucrânia já matou mais de 2 mil civis

Desde o dia 24 de fevereiro, a ofensiva militar russa está atuando em três frentes na Ucrânia, incluindo forças terrestres e bombardeios em várias cidades, com o lançamento de mísseis e ataques de artilharia em áreas civis. 

O presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia pela necessidade de desmilitarizar o país, afirmando ser essa a única maneira que a Rússia tem de se defender e garantindo que a ofensiva durará tanto tempo quanto for necessário.

Ele vem obtendo ganhos significativos no sul da Ucrânia, como parte de um esforço para cortar a ligação do país com o Mar Negro e o Mar de Azov. O impedimento do acesso ao litoral seria um forte golpe para a economia do país e permitiria à Rússia construir um corredor terrestre estendendo-se desde a sua fronteira até a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, seguindo rumo ao oeste, até a Romênia.

Até o momento, as autoridades de Kiev contabilizaram mais de 2 mil civis mortos, entre eles, crianças. De acordo com a ONU, os ataques já evacuaram mais de 1 milhão de refugiados na Polônia, Hungria, Moldávia e Romênia, entre outros países.

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