A Porsche anunciou um investimento de US$ 75 milhões (mais de R$ 355 milhões) na HIF Global LLC, uma holding que trabalha com projetos e produção de combustível sintético. Com essa ação, a montadora sediada na Alemanha adquire uma “participação de longo prazo” na empresa sediada no Chile.

Um dos projetos em que a HIF Global está envolvida é a planta piloto Haru Oni, localizada na cidade portuária chilena de Punta Arenas e que está sendo construída pela Porsche, como vimos aqui no ano passado. De acordo com a montadora, a produção do eFuel, combustível ecológico à base de eletricidade, deve começar ainda este ano. Após a primeira etapa, a Porsche terá duas expansões do complexo (em 2024 e 2026), saltando a produção estimada para 55 e 550 milhões de litros, respectivamente.

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Combustível sintético no automobilismo da Porsche

O processo em Haru Oni tem entre seus parceiros nomes como Siemens Energy e ExxonMobil e envolve a produção de combustível a partir de hidrogênio e dióxido de carbono (CO2) usando energia eólica. O investimento de agora da Porsche estará voltado para o desenvolvimento de plantas adicionais no Chile, Estados Unidos e Austrália.

Inicialmente, a montadora planeja usar o combustível sintético produzido nessas instalações em carros de corrida. Futuramente, o eFuel deverá estar presente em carros de estrada nas fábricas e em seus Centros de Experiência Porsche, que oferecem passeios de pista aos clientes. De acordo com a empresa alemã, o combustível sintético reduzirá substancialmente as emissões de carbono.

Segundo um dos integrantes do quadro de pesquisa e desenvolvimento da Haru Oni, Michael Steiner, a estimativa é de que o eFuel reduza a emissão de poluentes em motores de queima de combustíveis fósseis em até 90%. A montadora, por sua vez, entende que o uso de combustível sintético permite uma redução ainda maior nas emissões do que a obtida com carros elétricos – levando em consideração os processos de fabricação.

Porém, dúvidas vêm sendo levantadas sobre o perfil sustentável desse componente, como vimos em dezembro. Segundo um estudo do grupo ambiental Transport & Environment (T&E), o combustível sintético, desenvolvido por mecanismos que modificam os hidrocarbonetos, gera tanta poluição quanto os combustíveis fósseis convencionais.

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