Prós
  • Traseira muda de cor (e rápido)
  • Acabamento muito bonito
  • Carregador incluso e de 60 watts (!)
  • Leitor de batimentos cardíacos sob a tela
Contras
  • Sem proteção contra água e poeira
  • Caro

O mercado de smartphones intermediários é bastante concorrido, com muito celular parecido em hardware, mas com algum ponto interessante no lado externo. Foi pensando exatamente neste ponto que a Realme criou o Realme 9 Pro+, que tem nome bastante longo para o um aparelho e ao mesmo tempo cria um dispositivo com duas cores na traseira – e elas são bem distintas.

De cara ele é azul perolizado, mas ao chegar na luz solar o aparelho fica rosado e vai até um vermelho mais intenso. Tudo isso trabalha duro para também conseguir aumentar a participação de mercado no Brasil, já que a Realme aportou por aqui em 2020 e é uma das marcas mais novas também lá fora..

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Por dentro o Realme 9 Pro+ vem com um MediaTek Dimensity 920 5G, tem tela de 90Hz e esse conjunto todo faz sentido? Eu passei algumas boas semanas com este celular no bolso pra te contar a minha experiência, além de responder se vale a pena colocar seu dinheiro neste modelo. Vem comigo que te conto tudo nos próximos parágrafos.

Review do Realme 9 Pro+ em vídeo

Design e tela

Não são comuns os smartphones que focam em um acabamento com algum detalhe para chamar atenção, principalmente dentro do segmento intermediário onde a quantidade de celulares diferentes em cada faixa de preço é infinitamente maior quando comparado com a divisão de dispositivos mais caros.

Então é justo começar a falar sobre o Realme 9 Pro+ por fora, pela traseira. Por aqui a empresa asiática resolveu trazer um celular que tem duas cores. Sempre que você estiver em um ambiente sem luz solar ou iluminação ultravioleta, essa parte fica azul com alguns detalhes de brilho. É só o sol chegar e ele se transforma em alguns segundos pra um vermelho vivo, misto de salmão com morango ou algo parecido.

Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O que sei é que esse é um dos celulares mais bonitos que já vi e o Realme 9 Pro+ é o tipo de aparelho que deveria ser proibido usar uma capinha protetora que não seja transparente. Essa mudança acontece graças à camada fotocrômica que existe abaixo do plástico da traseira, muito semelhante aos óculos que escurecem automaticamente.

Enfim, o aparelho continua indo bem no quesito beleza ao ser confortável nas mãos, ter peso pequeno de 182 gramas e espessura abaixo de 8 milímetros. Junte isso com o reflexo criado pelo acabamento e eu reforço: esse celular é lindo.

Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Ele não é completamente perfeito por fora, pois o Realme 9 Pro+ tirou a proteção contra água e poeira para conta não ficar muito alta, mas ainda assim ele não é barato. Por ser lançado por R$ 3,5 mil, este acaba sendo um dos únicos intermediários sem certificação IP alguma coisa. Ele é belíssimo, mas em um mergulho acidental o celular pode morrer.

Já na tela, a Realme escolheu um painel Super AMOLED de 6,4 polegadas e com resolução Full HD+. Ele tem taxa de atualização marcada em 90 Hz e faz bonito na hora de representar as cores, iluminar com brilho forte, além de exibir contraste elevado em um nível esperado para telas que não são LCD e já apostam em díodos orgânicos.

Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Os ângulos de visão são generosos e se por fora a Realme não aposta em proteção contra água e poeira, na tela ela garante alguma segurança ao colocar o Gorilla Glass 5 por aqui.

Uma curiosidade dessa tela é a presença de um leitor de impressões digitais, que tem a velocidade esperada para leitura óptica, mas que também faz o trabalho de sensor para batimentos cardíacos.

Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O acesso para o recurso está em uma área ainda experimental e eu testei ele com o leitor de um Apple Watch Series 7. O resultado de ambos não foi muito distante, dando credibilidade à perfumaria ainda em testes do Realme 9 Pro+.

Hardware e software

Passando para o lado mais corriqueiro, o Realme 9 Pro+ tira proveito de um chip MediaTek Dimensity 920 5G, acompanhado de 6 GB de RAM que pode crescer com até 5 GB extra. Como a memória interna é de 128 GB e ela utiliza o padrão UFS 2.2, o incremento em desempenho é bacana e pode dar sobrevida pro celular.

Junte isso com a fluidez da Realme UI 3.0, com os 90 Hz do display e a experiência é bastante positiva. Eu não encontrei engasgos em momento algum durante os testes, seja em aplicativos de redes sociais, outros mais pesados ou mesmo em jogos. Para games escolhi os já manjados Genshin Impact e Asphalt 9. O primeiro rodou bem com as configurações gráficas apontadas para o padrão Alta, mas eram visíveis quedas nas taxas de quadros por segundo em alguns momentos.

Realme UI 3.0 com Android 12 (Imagem: reprodução)
Realme UI 3.0 com Android 12 (Imagem: reprodução)

Já Asphalt 9 foi configurado para tudo no máximo e mostrou desenvoltura, sem qualquer diminuição na taxa de fps.

Voltando para o software, por aqui a Realme ainda não alterou sua política de atualizações e ela está longe de ser boa. A empresa promete dois anos de updates para o Realme 9 Pro+, então é seguro apontar que esse celular receberá até o Android 14, que será a versão do sistema operacional móvel do Google pro ano que vem, pois o 13 está em testes abertos neste momento e deve chegar para o público a partir do final de 2022.

Olhando para a Realme UI, eu continuo encontrando problemas de tradução em alguns pontos, mas eles estão cada vez mais raros. Se antes trombar com Contactos ou Ecrã não era uma tarefa complicada, agora o primeiro eu já não vejo e o segundo aparece apenas dentro do gerenciador de desempenho do aparelho nos jogos.

Parabéns.

Câmeras

Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Na traseira o Realme 9 Pro+ tira proveito de três lentes, sendo a principal com 50 megapixels, junto de uma secundária para ultrawide com 8 megapixels e aquela macro de 2 megapixels que, como sempre com tão pouca resolução, não faz fotos boas.

Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

No geral, considerando as duas outras câmeras e principalmente o sensor Sony IMX766 com maior resolução, eu fiquei feliz com os resultados. As cores ganham vida sem deixar nenhuma parte mais exagerada, mesmo com o HDR ativado.

Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera ultrawide do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera ultrawide do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Você deve ter sentido falta de uma lente teleobjetiva e é isso, o Realme 9 Pro+ não tem. Para compensar esse detalhe, o celular usa a resolução enorme de 50 megapixels para aproximar o objeto fotografado duas vezes. O resultado é bom, muito bom para uma imagem final que tem pouco mais de 12 megapixels.

Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera ultrawide do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera ultrawide do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O sensor principal faz boas fotos mesmo de noite, com o modo noturno atuando para aliviar luzes estouradas e dar muito mais iluminação até em locais bem escuros. A qualidade da lente ultrawide é muito inferior, sempre resultando em registros recheados de granulação. De dia a situação melhora bastante, mas a queda em nível de detalhes fica muito evidente.

Foto com a câmera macro do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera macro do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera macro do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera macro do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme 9 Pro+, em telemacro (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

A macro feita com a lente feita para isso é ruim, com detalhes perdidos e até cores desbotadas. Os resultados do sensor principal fazendo esse serviço sempre foram melhores durante meus testes.

Foto com a câmera frontal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera frontal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera frontal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera frontal do Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Por fim, as selfies tiram proveito de um sensor com 16 megapixels. A qualidade das imagens deste componente também me deixou feliz. Detalhes e cores recebem o mesmo tratamento da câmera principal e até o recorte do modo retrato respeita bem os limites do rosto, ou do cabelo e até da barba.

No geral as selfies ficarão boas, no tom correto.

Bateria

Agora, olhando para a bateria, a Realme fez o caminho de quem pretende ter um celular muito fino: ela é pequena. São 4.500 mAh que seguram bem o dia de trabalho, ou mesmo de turismo. O número é especialmente baixo quando alguns concorrentes chegam em 7.000 mAh, mas a fabricante chinesa compensa este detalhe com um carregador incluso na caixa, capaz de enviar 60 watts pelo cabo USB-C.

Na tomada, em meia hora a bateria do Realme 9 Pro+ saiu de 0 e foi até 76%, com pouco mais de 10 minutos extras para completar os 100% de carga novamente. Impressionante, mas lembre de levar exatamente este carregador na mala das férias, ok? Outros podem e certamente consumirão mais do seu tempo.

Realme 9 Pro+: vale a pena?

Olha, eu fiquei muito contente com o conjunto da obra. Claro que a traseira é um show à parte e eu faço mais uma vez minha recomendação: capinha só se for transparente. Não pense em perder essa variação de cores, mesmo sem luz do sol.

Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme 9 Pro+ (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O hardware me pareceu bem competente para segurar o bom desempenho por uns dois ou três anos, mas me deixa triste saber que o Realme 9 Pro+ não deve receber nenhuma atualização após o Android 14, que será lançado já no ano que vem, em 2023.

As câmeras registram boas fotos, mas se eu pudesse dar uma dica para Realme seria para tirar essa macro de 2 megapixels e assim aumentar a resolução da ultrawide, com uma lente híbrida para também fazer belas imagens, mas agora em resolução que não destrói a quantidade de detalhes, ou as cores.

Mas, mesmo com tudo isso, eu acho que R$ 3,5 mil por tudo é muito dinheiro. Por menos que isso é possível encontrar até o Galaxy A73, que é superior ao Realme 9 Pro+ em taxa de atualização de tela com 120Hz, memória interna com possibilidade de expansão, o dobro de resolução na câmera principal e ultrawide com mais detalhes, além de certificação IP67 contra água e poeira.

A câmera frontal também tem o dobro de resolução, a bateria é maior e o desempenho é basicamente o mesmo, mas com quatro anos de atualizações para o sistema operacional, indo até o Android 16. Tudo isso por menos de R$ 2,9 mil no momento da publicação deste review.

Quando o Realme 9 Pro Plus chegar em um valor inferior, ele vai valer a pena. Na verdade, ele só vale agora se você quiser o celular mais bonito do mercado e com traseira que muda de cor assim, quase do nada.

Nossa avaliação
Nota Final
8.5
  • Desempenho
    8.0
  • Design
    10.0
  • Câmeras
    8.0
  • Bateria
    8.0
  • Sistema/Interface
    9.0
  • Tela
    9.0
  • Conectividade
    9.0
  • Resistência
    7.0

Realme 9 Pro+: ficha técnica

Tela:Super AMOLED de 6,4 polegadas
Full HD+, 2.400 x 1.080 pixels
90 Hz
Brilho máximo: 600 nits
Processador:MediaTek Dimensity 920 (6 nm)
Octa-core de até 2,5 GHz
GPU:Mali-G68 MC4
RAM:6 GB
Armazenamento:128 GB
Câmeras traseiras:Principal: 50 MP (f/1,8)
Ultrawide: 8 MP (f/2,2)
Macro: 2 MP (f/2,4)
Vídeo:4K até 30 fps
Câmera frontal:16 MP (f/2,4)
Sistema Operacional:Android 12
Realme UI 3.0
Conexões:Wi-Fi 6 (2,4 GHz e 5 GHz)
Bluetooth 5.2 (A2DP, LE e aptX HD)
USB-C 2.0
NFC
GPS (A-GPS, GLONASS e BDS)
Bateria:4.500 mAh
Carregamento de 60 watts (na embalagem)
Outros:Leitor de impressões digitais (sob a tela)
Dimensões:160,2 x 73,3 x 8 mm
Peso:182 gramas