Pros
  • Aberta, a tela interna é um espetáculo
  • Resistente e à prova d’água
  • Modo multijanela que realmente funciona
Contras
  • Tela externa é um estreita demais
  • As câmeras são as mesmas do Fold 2, e a câmera sob a tela é fraca

Testei por uma semana o Galaxy Z Fold 3, a terceira geração da linha Z Fold, e como você vai ver nesse review, fiquei muito bem impressionado com esse dispositivo, o melhor smartphone dobrável do mercado hoje em dia. Ao contrário do Z Flip 3, a ideia aqui não é um celular compacto, que esconde uma tela de tamanho normal, e sim um aparelho de tamanho (quase) normal que esconde um tablet de 7,6 polegadas com formato 4:3 em seu interior. 

O Z Fold 3 foi lançado no Brasil no dia 11 deste mês, acompanhado pelo Z Flip 3, pelo smartwatch Galaxy Watch 4 e pelos fones Galaxy Buds 2, e eu fiz reviews de todos os três. O novo Z Fold 3 é um celular perfeito para quem gosta de telas realmente grandes, e apesar do usuário enfrentar alguns desafios tanto pelo tamanho reduzido da tela externa e gigante da tela interna, posso dizer que estou falando de um aparelho excelente, com ótimo processador, telas brilhantes e câmeras de boa qualidade. 

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Assista ao review:

Fechado, ele ainda é estreito demais

Fechado, ele ainda é um dispositivo bem estranho, pois seu formato é mais estreito do que o normal, com uma espessura equivalente a praticamente dois smartphones. E é exatamente isso que ele é, não tem como esconder. À primeira vista, você pode estranhar o formato, mas depois se acostuma. No bolso, ele deve ser colocado na horizontal, pois na vertical, o movimento das pernas vai empurrando ele para fora. 

Foto: Mário Kurth / Olhar Digital

Você vai se acostumar com o formato, mas com o tamanho da tela externa, aí já é outra história. Eu ainda preciso chegar lá, e praticamente não tenho usado ela, a não ser quando estou acordando, e dá preguiça de abrir a tela. 

Digitar nessa tela externa é algo que requer prática, e paradoxalmente, também existe uma curva de aprendizado para digitar na telona interna, por mais que a Samsung tenha dividido o teclado, algo ainda precisa ser ajustado para ele ser realmente confortável para trabalhar, algo que faz todo o sentido em um aparelho assim. 

Apesar disso, vale citar que a experiência com a tela externa é quase completa, ao contrário do Z Flip 3, que nos mostra apenas widgets. A tela segue com 6,2 polegadas e estreita demais, mas pelo menos agora também tem taxa de atualização de 120Hz, assim como a tela interna. Assim, para quem está disposto a enfrentar pequenos desafios, ele entrega uma belíssima tela ao ser aberto, e aí sim tudo faz mais sentido.

Mesmo com redução, preço ainda assusta

Para mim, o seu maior problema é o preço, pois mesmo com a redução de valor, esse não é um smartphone para qualquer um. O Z Fold 3 chegou ao Brasil por R$ 12.799, um valor menor do que o Galaxy Fold original, e bem menos que os R$ 13.999 que do Z Fold 2 em seu lançamento por aqui, em novembro do ano passado.

Lá fora, ele custa US$ 200 a menos que o Z Fold 2 (US$ 2 mil para US$ 1.800). Além disso, mesmo com as melhorias, segue sendo espesso demais quando fechado, além da tela frontal ser estreita demais, mostrando o conteúdo meio apertado. 

Além do smartphone inteiro ser protegido contra a entrada de água, ele também é muito resistente a impactos, com tela externa e câmeras cobertas por vidro Gorilla Glass Victus, e a armação em alumínio Armor. 

A tela interna, com vidro ultra-fino da Samsung Display, também fica bem mais protegida com uma pelicula PET até 80% mais durável que a do Fold 2, e assim vai resistir muito melhor a arranhões e riscos. 

A tela interna do novo Fold pode ser usada com a S Pen, mas não com qualquer modelo, e sim com a que foi criada especificamente para ele (Fold Edition), ou então a nova S Pen Pro. Quem tentar usar outras S Pens pode danificar a tela, então não faça isso com o seu. Segundo a Samsung, o uso da caneta stylus pode aumentar e muito nossa produtividade, mas infelizmente, não deu para testar na prática, pois o aparelho foi enviado para os testes sem o acessório.

A evolução da linha Fold/Z Fold

Antes do review, vamos relembrar da história da linha Fold, depois rebatizada para Z Fold. Tudo começou com o Galaxy Fold original, lançado em setembro de 2019. Um ano depois, chegou o Z Fold 2, e agora, um mês antes, fomos apresentados ao Z Fold 3, a evolução dessa linha, e não estou falando só do desempenho do processador Snapdragon 888 da Qualcomm, mas também das evoluções naturais de um terceiro modelo. 

O novo Z Fold 3 é o mais leve dos três, com 271 gramas, se aproximando do peso do Fold original (276 gramas), e bem mais leve que o Fold 2 de 2020, que pesava 282 gramas. De qualquer forma, os três são bem mais pesados que smartphones comuns. 

Além disso, ele também é mais fino do que o Fold 2 e o Fold original, ao ser aberto (6,4 mm contra 6,9 mm dos outros dois). Fechado, apesar de ter uma protuberância de câmera menor e ter partes individuais mais finas, ele mede mais no corpo, o que indica que a Samsung aumentou um pouco o espaço quando ele é fechado, algo que certamente ajuda a preservar a tela interna. Algo que não evoluiu do ano passado para cá foram as câmeras, mas vamos falar delas a seguir.

Câmeras para todos os gostos

Foto: Mário Kurth / Olhar Digital

São tantas câmeras no novo Z Fold que a gente quase perde a conta. Vamos começar pelas chamadas câmeras selfie. Ele tem duas, embora você possa usar as principais para isso, com a tela aberta. A tela externa tem uma câmera frontal de 10 megapixels em um recorte, e a tela interna, uma câmera integrada de 4 megapixels, algo inédito para a Samsung.

Apesar das reclamações de alguns usuários, não foi a sua transparência que me incomodou, e sim sua qualidade mesmo, especialmente em chamadas, mas também nas fotos. Para mim, faria mais sentido ter um recorte na tela com a mesma câmera externa, mas imagino que isso traria outras complicações técnicas. 

Vale citar que ela não é realmente invisível, a não ser em conteúdos com fundos mais escuros. Se o que estiver na tela for muito claro, ela é claramente visível, já que a densidade de pixels ali é menor, para passar luz para a câmera oculta. Ela é mais uma prova de conceito do que algo realmente útil, mas também tem o outro lado, é ótimo não ter nada na tela atrapalhando na hora de jogar ou ver um vídeo.

Câmeras externas também tiram selfies

O conjunto de três câmeras externas de 12 MP do Z Fold 3 não decepciona, especialmente em boas condições de iluminação, mas elas são exatamente as mesmas da versão anterior, algo que vimos a Samsung fazer também no Z Flip 3. Sim, elas são bem melhores que as do modelo menor, mas não chegam nem perto do alto nível de câmeras de flagships da própria Samsung, como os da linha S21. 

De qualquer forma, com uma boa iluminação, é possível obter imagens impressionantes com o Z Fold 3. O nível de detalhes é ótimo, mesmo sem contar com a belíssima tela para exibir, já que várias pessoas vieram elogiar as fotos que tirei com ele e postei nas minhas redes sociais.

Vale citar que também dá pra usar as câmeras principais como câmeras selfie. Com a tela aberta, um clique nesse botão no canto superior direito aciona as câmeras externas com a tela externa acesa, assim você pode gravar vídeos e tirar fotos, desde que lembre de não olhar para o recorte, e sim para o conjunto de câmeras. 

Tela interna, o grande trunfo do Z Fold 3

Foto: Mário Kurth / Olhar Digital

Não tem jeito, o grande destaque (literalmente falando) do novo integrante da linha Z Fold é a belíssima tela interna, chamada pela Samsung de Infinity Flex. Ela conta com uma película PET de proteção que fica escondida sob as bordas, assim usuários incautos não vão danificar o seu smartphone (assim como no Z Flip 3, fica aqui a recomendação para nem pensar em mexer nessa película).

O brilho é tão bom, que ao voltar para o meu smartphone antigo, fico com vontade de abrir o Z Fold 3 novamente, só para ver aquelas cores e aquele contraste. Na semana passada, ao passar 5 dias usando o Flip, estava dobrando o meu aparelho para um lado, e nessa, para o outro. Impressionante como a gente se acostuma com as coisas. 

Como sempre, a Samsung tem ótimas telas, e ainda que o brilho não seja tão alto como outros aparelhos da própria empresa, eles não conseguem dobrar a tela. 

Resistência é outro ponto forte do novo Fold

Assim como o Z Flip 3, o novo Fold também é à prova d’água com padrão IPX8, embora não seja resistente a poeira, assim nada de levá-lo para a praia, embora ele seja perfeito para tirar fotos na piscina. Da mesma forma, como seu irmão menor, ele conta com vidro Gorilla Glass Victus na tela externa, assim como as bordas e a dobra feitas em alumínio Armor, que a Samsung garante que é muito resistente. 

Assim como no outro modelo que testei semana passada, é difícil não ficar empolgado com esse recurso. O fato de termos um smartphone dobrável impermeável é algo realmente sensacional, que aumenta muito a versatilidade do aparelho, que pode ser usado em várias situações sem que o usuário precise se preocupar com a sobrevivência do seu caríssimo investimento. 

Sistema, configurações Labs e modo Flex 

Assim como o Z Flip 3, o novo Z Fold 3 roda Android 11 com a interface One UI 3.1.1 da Samsung. Ele também tem vários recursos para aproveitar a tela bem grande, como os modos multijanela e o modo Flex, que separa o conteúdo principal na metade de cima da tela, deixando outros controles na parte debaixo. 

Foto: Mário Kurth / Olhar Digital

Outros apps da Samsung são compatíveis com o modo Flex, como o calendário e a calculadora. O YouTube segue sendo a melhor solução de app para esse modo, mas vale citar que alguns recursos do app normal não estão disponíveis na versão para os smartphones dobráveis da Samsung. 

Leia mais:

A seção Labs, disponível no menu de recursos avançados das configurações, permite que você force apps não compatíveis a funcionarem com os recursos de tela dividida, exibição pop-up, além de forçar a rotação desses apps quando você gira o smartphone. 

Como tem uma tela interna muito maior que a do Z Flip 3, o novo Z Fold 3 tem um sistema de multijanelas que funciona melhor que o do seu irmão, pelo simples fato de você ter mais espaço físico, o que permite dividir a tela em três, ao invés de duas partes. A tela externa segue o padrão do Z Flip 3, e pode ser dividida em duas. 

Outro comando personaliza a proporção dos apps, algo muito útil para o Instagram, que insistia em não abrir no formato certo. No caso, é possível escolher entre os formatos 4:3, 16:9 (padrão do app) e tela cheia. Além disso, essa área Labs tem o painel do modo Flex, que controla o que acontece quando você dobra o smartphone na vertical, deixando a parte do conteúdo para a metade de cima da tela, e um painel com controles extras na parte de baixo. Se o app já for otimizado para o modo Flex e usar a parte de baixo para mostrar seu conteúdo, essa barra não aparecerá. 

O rei das multitarefas

O sistema funciona da mesma forma, usando a barra lateral, com um app já aberto, é só arrastar o outro e escolher a posição na tela. É possível reposicionar, redimensionar, trocar a ordem, e salvar as combinações de apps para você abrir sempre as mais úteis, no momento certo. 

Além disso, em ambas as telas, também é possível soltar janelas no meio da tela, várias delas, e reposicionar como você quiser, para aproveitar todo o espaço da tela interna. Isso também pode ser bem útil, dependendo o que você está fazendo, e o quão multitarefa você é. 

Bateria é ponto fraco

Um dos pontos fracos desse smartphone é sua bateria. Apesar de manter o carregamento de 25W (e sem fio de 11W), mas foi um pouco reduzida em relação ao Fold 2, 4400 mAh contra 4500 mAh, um preço que se paga para ele ser mais fino quando aberto. 

Como o aparelho não vem com carregador, tive que improvisar, e com o que tinha em casa, ele demorou pouco mais de 2 horas para carregar. Na minha semana de experiências com o Z Fold 3, tive que carregar sua bateria ao longo do dia, mas eu não sou um usuário típico, assim diria que ele aguenta o dia inteiro para a maioria das pessoas. 

Conclusão

Apesar do pouco tempo com ele, eu tenho muitas coisas boas para falar desse novo smartphone dobrável da Samsung, a começar pela bela interna, e também pelo fato dele ser o primeiro modelo da linha Fold com suporte a caneta stylus (ainda que não qualquer S Pen, e só na tela interna) e o mais importante, à prova d’água.

Com ele fechado, é possível usar a tela externa para a maioria das coisas, por mais que ela seja apertada demais. Com ele aberto, a experiência de uso é única para smartphones, e compensa os eventuais sacrifícios e compromissos feitos pela Samsung. No futuro, a empresa pode entregar uma tela externa mais larga e usável, e um aparelho ainda mais fino, mas é inegável que eles estão no caminho certo com o Z Fold 3. 

Além da autonomia da bateria, o meu maior problema com o Z Fold 3 é o seu preço, que mesmo com uma queda em relação ao Z Fold 2, ainda custa a partir de R$ 12.799 no Brasil, então é um aparelho para pouquíssimas pessoas. De qualquer forma, vale lembrar que estamos falando de praticamente dois smartphones em um. 

Para a maioria dos usuários, o Z Flip 3 é um produto que faz mais sentido, mas para quem tem verba sobrando, e quer um aparelho que possa ser usado pro trabalho além da diversão, o Z Fold 3 pode ser uma opção bem interessante. 

Nossa Avaliação
  • Desempenho
    8.5
  • Design
    9.5
  • Câmeras
    8.0
  • Bateria
    6.0
  • Sistema/Interface
    8.0
  • Tela
    10.0
  • Conectividade
    9.0
  • Resistência
    8.0

Assista também nosso review do Z Flip 3.

Confira também nossos reviews sobre o smartwatch Galaxy Watch 4 e os fones Galaxy Buds 2.

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