Como noticiado recentemente pelo Olhar Digital, uma pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que o oceano existente em Encélado, uma das luas de Saturno, pode ser enriquecido com fósforo, um elemento importante para a vida como conhecemos. Mas como esse elemento pode ajudar na existência dos seres vivos? E como ele foi achado?

Componente vital da bioquímica da vida, o fósforo se junta com açúcares para fornecer uma “espinha dorsal” ao DNA, unindo as quatro nucleobases à dupla hélice. O elemento também é usado em membranas celulares e ossos, bem como em uma molécula chamada trifosfato de adenosina, que carrega energia metabólica ao redor do corpo.

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Dados revisados da sonda Cassini, que operou na órbita de Saturno até 2017, apontam possibilidade de existência de fósforo em oceano da lua Encélado. Imagem: Dotted Yeti – Shutterstock

Estudos anteriores indicavam que o fósforo seria raro em Encélado. Os cientistas vislumbraram a composição do oceano através dos enormes gêiseres de água (uma espécie de fonte termal que, periodicamente, tem erupções) que pulverizam através de “listras de tigre”, aberturas profundas na superfície gelada da lua. 

Em diversas ocasiões, a sonda Cassini, da NASA, em operação até 2017, investigou esses gêiseres, analisando os componentes químicos. A espaçonave detectou elementos e moléculas que são instrumentais para a vida como a conhecemos, incluindo moléculas orgânicas como metano, além de amônia, carbono, nitrogênio, oxigênio e possivelmente sulfeto de hidrogênio – mas, nada de fósforo.

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Em 2018, um estudo feito pelos renomados pesquisadores Manasvi Lingam e Avi Loeb, de Harvard, concluiu que o fósforo seria escasso no oceano de Encélado porque se dissolveria lentamente nas rochas no fundo do mar. No nosso planeta, o fósforo é disponibilizado através da resistência ao tempo da terra seca, que Encélado não tem.

Novo estudo contesta informações de pesquisas anteriores sobre a lua de Saturno Encélado

No entanto, o estudo, liderado por Jihua Hao, cientista sênior da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, contradiz as descobertas anteriores, alegando que a pesquisa de 2018 usou modelos geoquímicos ultrapassados do fundo rochoso do oceano de Encélado.

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“Embora o elemento fósforo ainda não tenha sido identificado diretamente, nossa equipe descobriu evidências de sua disponibilidade no oceano sob a crosta gelada da lua Encélado”, disse o coautor do estudo Christopher Glein, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa do Sudoeste (SwRI), em San Antonio, no estado norte-americano do Texas, em um comunicado.

De acordo com o site Space.com, usando novas modelagens baseadas nos dados mais recentes disponíveis, o grupo de Hao e Glein simulou como fosfatos, minerais ricos em fósforo, se dissolvem no oceano a partir do núcleo rochoso de Encélado. 

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Em particular, a equipe descobriu que a taxa de dissolução de um mineral chamado ortofosfato seria muito maior do que os estudos anteriores sugeriram, capaz de encher o oceano com uma concentração alta o suficiente para suportar a vida em apenas dezenas de milhares de anos. 

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Uma das razões pelas quais essa alta concentração é possível é a presença de bicarbonatos na água do oceano, das quais as propriedades químicas permitem que fosfatos se acumulem.

“A geoquímica subjacente tem uma simplicidade elegante que torna inevitável a presença de fósforo dissolvido, atingindo níveis próximos, ou até mais altos do que os da água do mar na Terra”, disse Glein. “O que isso significa para a astrobiologia é que podemos estar mais confiantes do que antes que o oceano de Encélado seja habitável”.

Para provar que o oceano de Encélado contém fósforo, uma futura missão in loco teria que detectar diretamente ortofosfato ou algum outro mineral derivado do fósforo nos gêiseres de água que entram regularmente em erupção na lua.

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