Enzimas encontradas na saliva de vermes conhecidos como traças-de-cera podem degradar uma das formas mais comuns de resíduos plásticos, segundo uma pesquisa publicada nesta terça-feira (4) na revista Nature Communications, se tornando uma alternativa no combate à poluição.

Os seres humanos produzem cerca de 400 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos a cada ano, em detrimento às ações internacionais para reduzir o uso de plásticos de uso único e aumentar a reciclagem.

Cerca de um terço desses resíduos vem do polietileno, um plástico resistente graças à sua estrutura peculiar, que requer aquecimento ou radiação antes de começar a quebrar.

Diversos estudos apontam que microrganismos podem liberar enzimas que iniciam o processo de degradação do polietileno, mas todos os observados foram feitos de forma muito demorada – levando meses para se concluir. A nova abordagem descobriu que as enzimas localizadas na saliva das traças-de-cera (Galleria mellonella), por sua vez, podem agir em apenas algumas horas.

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Federica Bertocchini, uma ávida pesquisadora da apicultura, contou que seu primeiro contato com a ideia de que esta pequena lagarta tinha poderes incomuns aconteceu há alguns anos, ao armazenar favos de mel.

“No final da temporada, geralmente os apicultores colocam algumas colmeias vazias em um depósito, para colocá-las de volta no campo na primavera”, disse ela à agência de notícias AFP. “Um ano, eu fiz isso e encontrei meus favos de mel armazenados atormentados com vermes de cera. Na verdade, esse é o seu habitat dessas traças”.

A pesquisadora limpou os favos de mel e colocou os vermes em um saco plástico. Quando ela voltou, pouco tempo depois, encontrou a bolsa cheia de furos. “Isso levantou a questão: é o resultado de mastigar ou há uma modificação química? Verificamos isso, fazendo experimentos laboratoriais adequados, e descobrimos que o polietileno tinha sido oxidado”.

Em sua última pesquisa, a equipe liderada por Bertocchini, que é cientista do Centro de Estudos Biológicos Margarita Salas (CIB) de Madrid, analisou proteínas na saliva de traças-de-cera e identificaram duas enzimas que poderiam quebrar o polietileno em pequenos polímeros em apenas algumas horas à temperatura ambiente.

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Eles explicaram que usaram a saliva de outro verme como um experimento de controle, que não produziu nenhuma degradação em comparação com a traça-de-cera.

“Podemos imaginar um cenário em que essas enzimas são usadas em uma solução aquosa, e os litros dessa solução são derramados sobre pilhas de plástico coletado em uma instalação de gerenciamento de resíduos”, disse Bertocchini, afirmando que sua equipe ainda está tentando descobrir com precisão como os vermes degradam o plástico.

Ela vislumbra que, futuramente, a solução poderia ser usada em residências, onde cada família poderia decompor seus próprios resíduos plásticos.

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