Sanções aplicadas pelo Ocidente à Rússia após o país invadir a Ucrânia, em fevereiro deste ano, provocaram retaliações do governo de Vladimir Putin, que, entre outras ações, limitou o fornecimento de gás natural à Europa. Isso gerou a pior crise energética da história do continente. Em meio a esse cenário, a França, particularmente, está enfrentando um grande problema. 

De acordo com o Wall Street Journal, dezenas de reatores nucleares do país foram desligados após a detecção de diversos pontos de corrosão e fissuras. Segundo a publicação, as correções estão demorando mais do que o esperado, o que traz uma perspectiva assustadora para o inverno que se aproxima. 

Trabalhadores que atuam nos serviços de reconexão dos tubos danificados estão expostos à radioatividade, devido à proximidade das rachaduras com os núcleos dos reatores. Imagem: EDF

“É importante que este trabalho seja concluído o mais rápido possível”, disse Emmanuelle Wargon, chefe do regulador de energia da França. “Se não, o risco de não ter eletricidade aumenta”.

A frota nuclear em questão, de propriedade do provedor de energia Électricité de France (EDF), é composta por 56 reatores, dos quais 26 estão atualmente parados.

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Esses problemas começaram no fim do ano passado, quando uma rachadura foi descoberta em um tubo de alta pressão perto do núcleo do reator na mais jovem usina nuclear do país. Outras plantas, que então iniciaram suas investigações, descobriram seus próprios pontos de corrosão por estresse pouco depois.

“Só é possível identificar a presença da corrosão por estresse quando se detecta as rachaduras”, diz um comunicado do Instituto Francês de Radioproteção e Segurança Nuclear. “Inspeções regulares dos tubos só podem identificar o fenômeno quando uma falha estiver presente”.

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E não são correções simples. Como a maioria das rachaduras estão muito próximas do núcleo do reator, isso representa uma ameaça muito real para os técnicos, cuja exposição à radioatividade deve ser limitada.

Tendo em vista o quão complicados são os reparos, os especialistas em energia estão bem pessimistas sobre a capacidade da EDF de colocar seus reatores de volta trabalho até o inverno, especialmente dado que, segundo as fontes do WSJ, os cronogramas para várias correções de reator já foram adiados em pelo menos seis semanas.

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