A cada dia que passa, a ciência avança no combate a várias doenças, e uma delas é o Alzheimer. Desta vez, um novo tipo de teste de sangue pode detectar uma toxina escondida por trás da doença, segundo estudo publicado na PNAS.

Se a prova de conceito puder ser testada e ampliada, o teste poderá acelerar significativamente o diagnóstico, dando respostas a milhões de pacientes e acesso a cuidados adequados muito antes de a doença progredir.

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Pesquisadores da Universidade de Washington foram os responsáveis pela criação. Ele é projetado para captar um precursor molecular no sangue que pode fazer com que as proteínas se dobrem e se agrupem irregularmente no cérebro, então formando placas de beta-amiloide (Aβ).

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As placas Aβ são marca famosa do Alzheimer, mas seu papel no declínio cognitivo do doente é incerto. Historicamente, tais placas extracelulares têm sido consideradas um gatilho inicial da perda e disfunção dos neurônios, levando ao declínio cognitivo.

Porém, estudos recentes mostraram que as placas Aβ estão presentes apenas em um terço dos pacientes com Alzheimer e, por vezes, estão presentes nos cérebros de pessoas sem déficits cognitivos.

Em suma, placas Aβ extracelulares no cérebro não são, necessariamente, tóxicas em si, mas talvez podem resultar de toxinas moleculares notoriamente difíceis de detectar.

Tais toxinas são essencialmente as versões funcionais das Aβ encontradas nas células. São conhecidas como “oligômeros tóxicos Aβ”, sendo que alguns cientistas pensam elas que poderiam subitamente danificar neurônios de longe, de alguma forma predispondo as células a placas e aglomerados extracelulares.

Os cientistas ainda estão descobrindo os detalhes, mas a hipótese levou os pesquisadores da universidade a fazer ensaio de ligação de oligômero solúvel impressionantemente preciso, apelidado de SOBA.

Inicialmente, o SOBA foi testado em plasma sanguíneo de 310 voluntários. Alguns deles demonstraram comprometimento cognitivo leve ou doença de Alzheimer, enquanto outros estiveram em boa saúde cognitiva.

Medindo os oligômeros Aβ tóxicos no plasma sanguíneo, o SOBA detectou todos os 53 participantes com Alzheimer que mais tarde foram confirmados como tendo a doença post-mortem.

Imagem mostra três ampolas para teste sanguíneo, uma ao lado das outras
Imagem: Shutterstock

Enquanto isso, no grupo de controle, o SOBA detectou oligômeros nas amostras de plasma sanguíneo de 11 elementos. Dez deles foram diagnosticados, posteriormente, com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer.

“O que médicos e pesquisadores desejam é um teste de diagnóstico confiável para a doença de Alzheimer, e não apenas um ensaio que confirme o diagnóstico da enfermidade, mas que também possa detectar sinais da doença antes que ocorra o comprometimento cognitivo”, diz a bioengenheira Valerie Daggett, da UW.

“Isso é importante para a saúde das pessoas e para todas as pesquisas sobre como os oligômeros tóxicos do beta-amiloide continuam e causam os danos que causam. O que mostramos aqui é que o SOBA pode ser a base desse teste.”

E não é só isso que o SOBA é capaz de fazer, já que o Alzheimer não é a única doença que possui oligômeros tóxicos. Proteínas deficientes também podem ser associadas ao Parkinson, diabetes tipo II e demência com corpos de Lewy, indicando que o SOBA pode, algum dia, ser ajustado para detectar marcadores precoces dessas outras doenças.

Outros testes também tentaram medir os traços do Alzheimer, mas com níveis de sucesso variáveis. Em 2018, por exemplo, uma análise sanguínea que também detectou precursores Aβ prediziam o início Alzheimer 30 dias antes dos déficits cognitivos começarem a se manifestar. O SOBA, segundo os pesquisadores, pode fazer predileções similares.

Na prática clínica atual, apenas testes de sangue que realiza medida por genes associados com o Alzheimer estão em uso, mas tais testes não são tão bons quanto os que predizem que irá desenvolver a doença.

Com informações de ScienceAlert

Imagem destacada: Naeblys/Shutterstock

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