Embora pareça uma tendência mais atual, o hábito de fazer tatuagens data de antes de Cristo. Os vestígios mais antigos apontam que essa moda surgiu na Idade do Cobre como forma de tratamento para dores. Nessa época, as marcas não passavam de traços nas regiões dos tornozelos, punhos, joelhos e pés.

No início dos anos 2000, virou uma espécie de “febre” a tatuagem na parte inferior das costas (lombar, próximo ao cóccix). Isso não era nenhuma novidade, no entanto. Um estudo recente descobriu que no antigo Egito, mulheres tatuavam essa região do corpo como amuleto de proteção durante o parto e o período pós-parto. 

Reconstrução da tatuagem na parte inferior das costas de uma das mulheres encontradas mumificadas. Imagem: Divulgação Anne Austin/Universidade de Missouri-St. Louis

A descoberta foi publicada no Journal of Egyptian Archaeology e revelou restos mumificados de duas mulheres com tatuagens de posições e figuras parecidas. As figuras que foram encontradas provavelmente estão relacionadas a divindade egípcia Bes, deus protetor das gestantes e das crianças.

Os vestígios foram encontrados no local onde era o reino de Deir el-Medina, na margem ocidental do Rio Nilo e próximo ao Vale do Reis, em Luxor. Em uma das múmias, na pele que ainda estava preservada, foi possível encontrar traços que poderiam percorrer toda região lombar. Próximo a essas marcações também havia uma representação do deus Bes e uma tigela, figuras associadas aos rituais de purificação pós-parto. 

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Já na segunda, as tatuagens só foram descobertas a partir de fotos em infravermelho. Com pouca visibilidade a olho nu, as figuras revelaram um Olho de Horus e representações de Bes. Nela, também foram encontradas linhas em ziguezague que, segundo Anne Austin, principal autora da pesquisa, pode representar os pântanos, que em textos médicos da antiguidade estavam associados ao alívio das dores do parto e da menstruação.

Uma tatuagem na parte inferior do tronco e pernas de uma mulher egípcia mumificada. Imagem: Anne Austin/Universidade de Missouri-St. Luís

Quanto às estátuas, elas já haviam sido encontradas há algumas décadas também em Deir el-Medina. As figuras de barro passaram por novos estudos para se avaliarem relações entre elas e as múmias. Foi sugerido que os desenhos encontrados na parte inferior das costas das estátuas podem representar tatuagens semelhantes às encontradas nas mulheres.

Austin também comentou que o achado é raro, pela dificuldade em encontrar pele preservada e exposta. “Como nunca desembrulhamos pessoas mumificadas, nossas únicas chances de encontrar tatuagens são quando os saqueadores deixaram a pele exposta e ela ainda está presente para vermos milênios depois que uma pessoa morreu”, acrescenta a pesquisadora. 

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