Inspirado em sementes de dente-de-leão, o Aerorrobô Voador Baseado na Montagem de Materiais de Resposta Leve, cuja sigla em inglês – FAIRY – significa “fada”, é o primeiro robô planador feito de materiais leves que respondem à luz.

Os desenvolvedores do robô-fada buscaram inspiração nas sementes de dente-de-leão, que são capazes de voar delicadamente por quase 100 km. Crédito: Tomasz Czajkowski – Shutterstock

Segundo seus desenvolvedores, o dispositivo de apenas 1,2 mg poderia ser usado para ajudar a mitigar a perda de polinizadores (como abelhas) que estamos vendo atualmente na natureza.

Para colocar o robô-fada no ar e para controlar a propagação de suas cerdas é usado um feixe de luz LED. Depois disso, o bot ultraleve viaja com o vento e pode ser disperso por grandes distâncias, assim como as sementes em que se baseia.

“Parece ficção científica, mas os experimentos de prova de conceito incluídos em nossa pesquisa mostram que o robô que desenvolvemos fornece um passo importante em direção a aplicações realistas adequadas para a polinização artificial”, diz o microrroboticista Hao Zeng, da Universidade de Tampere, na Finlândia.

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Além de ser muito leve, o FAIRY também é muito poroso em seu design, o que o ajuda a levitar. Ele também é capaz de criar seu próprio anel de vórtice, assim como a semente de dente-de-leão, o que aumenta a aerodinâmica e garante que o dispositivo consiga viajar longas distâncias sem qualquer ajuda extra.

Robô-fada levantando voo respondendo ao estímulo da luz. Imagem Jianfeng Yang/Universidade de Tampere

A forma da máquina voadora pode ser ajustada como a vela de um navio. No entanto, não é algo que possa ser pilotado diretamente da mesma forma que um drone, por exemplo.

“Os experimentos de prova de conceito incluídos em nossa pesquisa mostram que o robô que desenvolvemos fornece um passo importante em direção a aplicações realistas adequadas para a polinização artificial”, declarou Zeng, um dos autores do artigo que descreve a descoberta, que foi publicado na revista Advanced Science.

Depois de testar protótipos em túneis de vento e sob luzes laser, Zeng e seus colegas imaginam milhões dessas “sementes” artificiais carregando pólen no vento, com a luz usada para direcioná-las em direção às árvores que precisam ser polinizadas. No entanto, muito trabalho ainda precisa ser feito antes que isso possa de fato acontecer.

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Os pesquisadores estão procurando maneiras de controlar com mais precisão onde esses robôs-fadas vão pousar e considerando como eles também podem ser biodegradáveis. 

As sementes de dente-de-leão são capazes de viajar até 100 km em condições quentes, secas e ventosas, graças ao seu design. Sem bateria ou fonte de energia direta necessária, os dispositivos FAIRY poderiam fazer o mesmo.

“Isso teria um enorme impacto na agricultura global, uma vez que a perda de polinizadores devido ao aquecimento global se tornou uma séria ameaça à biodiversidade e à produção de alimentos”, disse Zeng ao site Science Alert.

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