Um tesouro contendo joias de ouro e moedas de prata de 800 anos foi descoberto no norte da Alemanha, fornecendo pistas sobre as conexões comerciais da área na época.

Para entender:

  • Detectores independentes encontraram uma bolsa enterrada em Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha contendo brincos e anéis de ouro, além de moedas de prata;
  • Hoje patrimônio mundial da UNESCO, o local onde o tesouro foi descoberto era uma antiga cidade viking que pertencia à Dinamarca;
  • A região era um ponto estratégico para o comércio viking da época;
  • A análise das moedas pôde determinar que o tesouro foi enterrado depois de 1234;
  • Essa descoberta é rara, e não está claro se os itens eram de propriedade pessoal ou roubados.
Uma coleção de moedas de prata encontradas no norte da Alemanha, que datam da época do rei Valdemar II, da Dinamarca. Imagem: © ALSH

“O tesouro consistia em dois brincos de ouro de altíssima qualidade com pedras semi-preciosas, um broche de ouro dourado, dois anéis inteiros também de ouro, um fragmento de anel, um pequeno disco perfurado e cerca de 30 moedas de prata, algumas delas fortemente fragmentadas”, disse Ulf Ickerodt, diretor do Departamento Arqueológico do Estado de Schleswig-Holstein (ALSH), em entrevista ao site LiveScience.

Durante décadas, arqueólogos amadores e profissionais têm trabalhado juntos para investigar a região de Schleswig-Holstein e, em particular, a antiga cidade viking dinamarquesa Haithabu, hoje patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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Também chamado de Hedeby, em dinamarquês, o local foi a segunda maior cidade nórdica e um ponto estratégico para os vikings entre os séculos 8 e 11. Depois, foi destruído e abandonado por volta de 1066, encerrando a era viking na região.

Costas e frente e um brinco de ouro no estilo bizantino descoberto entre o tesouro. Imagem: © ALSH

No entanto, tudo indica que um século ou dois depois disso, alguém propositalmente enterrou a bolsa cheia de objetos de valor nas proximidades.

Ao encontrar o tesouro, o grupo de detectores relatou a descoberta ao ALSH, e uma equipe de arqueólogos escavou o local, revelando os objetos.

Talvez os itens mais notáveis do achado sejam os dois brincos. “Eles provavelmente datam da época e depois de 1100 e estão na tradição dos ourives bizantinos”, disse Ickerodt. 

O tesouro também continha uma imitação de uma moeda islâmica – um dinar de ouro almóada – que havia sido transformada em um broche. O Califado Almóada foi uma dinastia muçulmana que governou o sul da Espanha e o norte da África entre os séculos 12 e 13. 

As 30 moedas de prata, cunhadas durante o tempo do rei dinamarquês Valdemar II, sugerem que o tesouro foi enterrado algum tempo depois de 1234.

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Natureza cosmopolita da região

Segundo estudiosos, a combinação de moedas dinamarquesas e joias do Mediterrâneo Ocidental é particularmente interessante e sugere a natureza cosmopolita da área.

“As moedas islâmicas eram bem conhecidas no sul da Escandinávia entre os séculos 9 e 11”, disse Marjanko Pilekić, um numismata (especialista em moedas) na Alemanha que não esteve envolvido na descoberta. “O dinheiro pode ter chegado a esta área em massa através de contatos comerciais de longa distância, roubo, tributo, entre outros. Era uma prática popular perfurar ou enrolar as moedas e usá-las”.

Moeda islâmica moldada em um broche – prática comum da época. Imagem: © ALSH

Essa descoberta é rara, e não está claro se os itens eram de propriedade pessoal ou roubados, se deveriam ser entregues a outra pessoa ou se foram enterrados por razões ritualísticas. “Especialmente em tempos de crise”, disse Ickerodt, “o perigo resultante leva à ocultação de bens”. 

Anos após o abandono da área de Haithabu, Schleswig começou a se desenvolver como um assentamento e centro comercial. “Uma extensa rede de comércio norte-sul e leste-oeste se desenvolveu aqui desde o início da Idade Média, na qual a região do Mediterrâneo, o Mar do Norte e o Mar Báltico foram integrados”, disse Ickerodt, que acredita que “o tesouro, certamente, não foi ali deixado por acaso”.

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