Um artigo publicado este mês na revista PalZ descreve um fóssil de aranha descoberto em um estrato geológico de cerca de 310 milhões de anos perto de Osnabrück, na Baixa Saxônia, Alemanha.

Quando encontrado, o misterioso espécime foi entregue ao especialista em aracnídeos fósseis Jason Dunlop, do Museu de História Natural, em Berlim, que se encarregou de investigar sua identidade.

Segundo o estudo de Dunlop, esta é a primeira aranha paleozoica já encontrada no país. A espécie, até então desconhecida, recebeu o nome de Arthrolycosa wolterbeeki, em homenagem ao seu descobridor, Tim Wolterbeek, pesquisador de geociências na Universidade de Utrecht.

Há cerca de 310 milhões de anos, viveu a aranha Arthrolycosa wolterbeeki, cuja representação artística acima foi baseada no modelo descrito por Jason Dunlop. Crédito: Harf Rainer© Harf Rainer

Aranha mais antiga da Alemanha é holótipo dos Araneae

Apesar de sua incrível idade, o fóssil é quase como um espécime completo. Com a classificação oficializada, a mais antiga aranha alemã é uma das 12 espécies carboníferas que podem ser atribuídas ao grupo Araneae – uma categoria com diversidade de espécies bastante baixa em comparação com a de aracnídeos intimamente relacionados, como os das Phalangiotarbidas e das Trigonotarbidas, que têm duas e quatro vezes mais, respectivamente.

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Uma possível causa para isso está relacionada às semelhanças de A. wolterbeeki com as aranhas Mesothelae existentes. Se elas fossem ecologicamente próximas e compartilhassem o mesmo estilo de vida, isso pode ter limitado suas oportunidades de fossilização, pois raramente teriam entrado em contato com os corpos d’água necessários para preservá-las.

As fêmeas seriam especialmente improváveis de entrar no registro fóssil, pois sabemos pelas aranhas vivas que elas são em grande parte sedentárias. Por outro lado, quando os machos atingem a maturidade, eles se aventuram em busca de um parceiro e, no entanto, pelo que se sabe até agora, parece que suas chances de serem preservados não são das melhores.

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“Neste contexto, é interessante considerar por que nem o presente espécime, nem qualquer das outras aranhas carboníferas, preservam um órgão palpável masculino”, explicou Dunlop, “pois poderíamos esperar que os machos errantes fossem preferencialmente preservados”.

De qualquer forma, o fóssil de Piesberg agora se torna um importante holótipo dos Araneae.

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