A relação entre lesões cerebrais traumáticas e o desenvolvimento de Alzheimer posteriormente na vida já foi comprovado. No entanto, cientistas ainda não conseguiram entender exatamente qual tipo de impacto e a força que causa isso, e muito menos como prevenir essa relação de efeito e causa a longo prazo. Cientistas da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, podem ter achado uma forma de estudar isso anos antes de a doença neurodegenerativa sequer começar a aparecer.

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Testes: concussão vs. Alzheimer

  • Como explica a publicação do Medical Xpress, cientistas quiseram descobrir quais os efeitos de cada tipo de força nas células cerebrais com o passar das décadas. No entanto, isso é extremamente difícil de se fazer em animais vivos e, para isso, eles criaram um minicérebro que pudesse servir como cobaia.
  • Para entender qual a relação entre causa e efeito do impacto com a doença, eles testaram neurônios cultivados em ratos embrionários.
  • Eles perceberam que o trauma causado levou a um aumento imediato na produção de acroleína, um molécula associada às doenças neurodegenerativas, e, depois, à aglomeração da proteína beta amilóide 42 (AB42), encontrada nos cérebros das pessoas com Alzheimer.
  • Entendendo a relação entre o golpe e a produção desses componentes, os especialistas conseguem aplicar a melhor forma de tratar essas lesões – prevenindo complicações que podem levar ao Alzheimer. Uma alternativa, por exemplo, é usar medicamentos que diminuem a inflamação por AB42.
Relação entre doença e concussões poderão ser estudados com mais facilidade com os minicérebros (Crédito: Atthapon Raksthaput – Shutterstock)

Descobertas

Os pesquisadores também reproduziram os golpes em um formato de pêndulo, para aplicá-los sucessivamente.

Assim, eles descobriram que, nas primeiras 24 horas depois do impacto, a aglomeração de acroleína aumenta e a produção de AB42 sobe em 350%. Vale lembrar que essas características estão presentes em pessoas que sofrem com a doença de Alzheimer.

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Importância no tratamento do Alzheimer

Com a técnica desenvolvida pelos pesquisadores da Universidade Purdue, será possível entender qual tipo de impacto e com qual força poderá desencadear elementos que favorecem o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas no futuro. Assim, será possível preveni-las.

Graças a este dispositivo, as pessoas devem saber que, quando você sofre uma concussão, não tem 10 anos para ver os danos. O tempo começa a contar imediatamente e, se quisermos fazer algo a respeito, precisamos agir rapidamente.

Riyi Shi, pesquisador principal e professor de Neurociência Aplicada na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Purdue

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