Um artigo recém-publicado na revista científica JGR Planets revela que a lua mais distante de Júpiter, Calisto, que também é a segunda maior do planeta e terceira maior do Sistema Solar, tem muito mais oxigênio do que se estimava – e os astrônomos não conseguem explicar por quê.

Depois que a sonda Pioneer 10, da NASA, identificou plasma intenso na magnetosfera de Júpiter, era esperado encontrar um pouco de oxigênio por lá. Experimentos foram conduzidos para determinar o efeito desse plasma nas luas geladas Europa, Ganimedes e Calisto, concluindo que a espessa atmosfera desse corpo contém uma quantidade absurdamente alta desse gás.

Lua Calisto
Calisto é o segundo maior satélite natural de Júpiter e o mais distante do planeta, além de ser a terceira maior lua do Sistema Solar. Crédito: JPL/Nasa

No entanto, quando essa taxa foi analisada pelos autores do novo estudo, eles descobriram que o magnetismo de Júpiter não consegue explicar totalmente a quantidade de oxigênio molecular ao redor de Calisto.

“Há uma enorme discrepância”, disse Shane Carberry Mogan, principal autor da pesquisa. “Estávamos fora por algo como duas ordens de magnitude a até três ordens de magnitude”. Para os leigos: isso significa que há de 100 a mil vezes mais oxigênio molecular na atmosfera de Calisto do que os cientistas esperariam encontrar se a magnetosfera de Júpiter fosse a única fonte.

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Essa descoberta pode parecer um ponto positivo para a possibilidade de Calisto ser habitável, mas aquele mundo provavelmente é frio demais para a vida como a conhecemos. 

Sendo assim, o oxigênio abundante pode ser útil para os exploradores futuros, que podem ser capazes de usá-lo para combustível e suporte de vida enquanto viajam pelo espaço profundo.

Mogan, que é pesquisador de pós-doutorado em ciência planetária na Universidade da Califórnia em Berkeley, espera obter uma melhor compreensão dos processos ativos na superfície da lua Calisto que possam explicar o nível tão alto de oxigênio lá detectado.

Para ajudar a solucionar o mistério, ele aguarda as futuras missões robóticas ao planeta, como os orbitadores Juice, da Agência Espacial Europeia (ESA), e Europa Clipper, da NASA, que podem se aproximar o suficiente de Calisto para coletar novos dados capazes de elucidar a questão.

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