Em dezembro de 2022, um vazamento no sistema de refrigeração da cápsula Soyuz MS-22, então acoplada à Estação Espacial Internacional (ISS), causou um enorme transtorno para os membros da missão, dois cosmonautas russos e um astronauta dos EUA. O trio, que estava programado para voltar para casa em março deste ano – seis meses após a chegada ao laboratório orbital – precisou prolongar sua estadia por, pelo menos, o dobro do tempo previsto.

Com isso, o astronauta Frank Rubio, da NASA, bateu o recorde norte-americano de maior tempo em órbita, que pertencia a Mark Vande Hei, ao ultrapassar a marca de 355 dias seguidos no espaço. 

Agora, mais do que isso, Rubio e seus companheiros russos Sergey Prokopyev e Dmitri Petelin acabam de entrar para o seleto grupo de pessoas que passaram mais de um ano fora da Terra (sendo ele o primeiro de origem americana). Finalmente, os três voltaram a colocar os pés em solo terrestre, após um total de 371 dias de missão.

Com o auxílio de paraquedas, a nave Soyuz MS-23, trazendo o trio de volta para casa, pousou às 9h17 (pelo horário de Brasília) desta quarta-feira (27), na estepe do Cazaquistão, a sudeste da remota cidade de Dzhezkazgan.

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Vamos recapitular a saga desses bravos exploradores:

  • A missão Soyuz MS-22 foi lançada à Estação Espacial Internacional em 21 de setembro de 2022;
  • A bordo da espaçonave estava Frank Rubio, da NASA, junto com Sergey Prokopyev e Dmitry Petelin, da Roscosmos (agência espacial russa);
  • Em 14 de dezembro, um intenso vazamento de líquido de refrigeração foi identificado na cápsula, que estava ancorada no lado russo do laboratório orbital;
  • Investigações iniciais apontam que a causa teria sido o impacto de um meteoroide;
  • Por causa do incidente, uma nova cápsula Soyuz foi lançada como cargueiro de suprimentos em 23 de fevereiro para buscar os três;
  • No entanto, de modo a evitar que a estação ficasse sem pessoal, a nave Soyuz MS-23 só poderia trazê-los para casa agora em setembro;
  • Dessa forma, a missão original de seis meses dessa tripulação foi prorrogada para mais de um ano;
  • A cápsula danificada, por sua vez, voltou para a Terra no fim de março para ser investigada.

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Prokopyev e Petelin são o quinto e sexto representantes da Rússia a ultrapassarem um ano no espaço e os dois primeiros a fazer isso na ISS. Os cosmonautas da era soviética Sergey Avdeev, Musa Manarov, Vladimir Titov e Valeri Polyakov registraram mais de 365 dias cada um na antiga estação espacial Mir. 

Falecido no ano passado, Polyakov ainda é o detentor mundial da maior permanência contínua no espaço, passando 437 dias em órbita.

Astronautas da ISS fazem cerimônia de despedida do trio

Na terça-feira (26), aconteceu a passagem de comando da tripulação da ISS, que antes era de Prokopyev, para Andreas Mogensen, da Agência Espacial Europeia (ESA).

“Vocês realizaram, Dmitri e Sergey, seis caminhadas espaciais, e Frank três”, disse Mogensen. “E talvez o mais notável de tudo, vocês voaram no espaço durante sua missão com outros 28 indivíduos no total”.

O novo comandante da estação elogiou os agora ex-tripulantes. “Sua competência, dedicação e trabalho árduo também estão muito claros para mim e meus companheiros de tripulação da Expedição 70. A estação espacial está arrumada e organizada, e o trabalho aqui está fluindo de forma suave e eficiente. E isso é em grande parte graças ao seu trabalho árduo durante o último ano. Em nome da Expedição 70, gostaria de agradecer por nos preparar para o sucesso”.