Na segunda-feira (27), um filamento magnético do Sol entrou em erupção, abrindo uma espécie de “cânion de fogo” na superfície da estrela. Essa fenda disparou uma ejeção de massa coronal (CME) em direção à Terra. No mesmo dia, outros dois eventos do tipo arremessaram mais jatos de plasma solar contra o planeta. 

A primeira das três erupções de filamento magnético do Sol ocorridas na segunda-feira (27), que dispararam jatos de plasma em direção à Terra. Crédito: SDO/SOHO

De acordo com a plataforma de meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, a chegada coletiva desse material está prevista entre quinta-feira (30) e sexta-feira (1º), podendo causar tempestades geomagnéticas da classe G2 (moderado, em uma escala que vai de G1 a G5). É o que mostra um modelo fornecido pela NASA:

Simulação computacional da NASA mostra que a Terra (círculo amarelo) está na rota da primeira das três CMEs emitidas por “cânion de fogo” do Sol na segunda-feira (27). Crédito: NASA

Jatos de plasma do Sol: o que são

Primeiro, vamos entender o que é plasma. Este é o quarto estado da matéria, além de sólido, líquido e gasoso. É uma forma altamente energética de matéria que ocorre quando os átomos ou moléculas de um gás são ionizados, ou seja, perdem ou ganham elétrons, resultando em um conjunto de partículas carregadas eletricamente, como íons positivos e elétrons livres.

Características:

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  • Alta energia: O plasma é composto por partículas altamente energéticas que colidem constantemente umas com as outras.
  • Condutividade elétrica: Devido à presença de elétrons livres, o plasma é um excelente condutor elétrico e pode conduzir eletricidade facilmente.
  • Emissão de luz: Muitos plasmas emitem luz visível quando excitados, como as lâmpadas fluorescentes, as lâmpadas de néon e até mesmo as estrelas, que são essencialmente bolas de plasma.

Jatos de plasma do Sol, ou ventos solares, são fluxos constantes disparados pela estrela ao espaço, transportando partículas carregadas, como prótons e elétrons, além de subpartículas como os neutrinos.

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Também chamados de ejeções de massa coronal (CMEs), esses jatos podem ser mais velozes ou mais brandos. O primeiro tipo se origina de fendas na coroa solar localizadas nos polos do Sol e viaja a velocidades que podem atingir até 800 km/s. Já o outro, localizado no mesmo plano do sistema solar que a Terra, flui de forma mais “tranquila”, mantendo uma velocidade aproximada de 400 km/s.

No entanto, durante o auge dos ciclos solares, um período regular de cerca de 11 anos durante o qual a atividade do Sol cresce gradualmente, ocorre uma transformação no campo magnético do astro. Essa inversão provoca a aparição de manchas solares que acabam se tornando buracos coronais na superfície da estrela, resultando na emissão de rajadas rápidas de vento solar voltadas diretamente para a Terra.

De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam partículas carregadas de radiação. Essas erupções são classificadas em um sistema de letras pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do último.

“A classe X denota as chamas mais intensas, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força”, explicou a agência em um comunicado. “Um X2 é duas vezes mais intenso que um X1, um X3 é três vezes mais intenso, e, assim, sucessivamente. Explosões classificadas como X10, as mais fortes, são incomumente intensas”.

Em média, erupções solares dessa magnitude ocorrem cerca de 10 vezes por ano e são mais comuns durante o máximo solar (período de maior atividade) do que o mínimo solar (período de menor atividade).