Um novo estudo, publicado na Nature Human Behaviour, sugere que a diferença de altura entre homens e mulheres do período Neolítico na Europa pode ter sido influenciada por fatores culturais, além de fatores genéticos e alimentares.

Segundo o IFLScience, pesquisadores analisaram dados de 1.535 indivíduos que viveram no início do período Neolítico e utilizaram DNA antigo, análise de isótopos estáveis, paleopatologia e medidas esqueléticas para entender as contribuições da genética e do ambiente para a variação humana.

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“Ao integrar dados genéticos e antropológicos, somos capazes de começar a compreender as contribuições da genética e do ambiente para a variação humana, permitindo-nos interpretar melhor as paisagens genéticas, ambientais e culturais da Europa Neolítica”, escreveram os autores.

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A pesquisa revelou que, apesar de terem pontuações genéticas idênticas às dos homens, as mulheres que viviam na região central da Europa apresentavam estatura mais baixa, indicando presença de fatores culturais que favoreciam a recuperação dos homens do estresse ambiental.

“Portanto, levantamos a hipótese de que os efeitos do elevado estresse ambiental no Norte foram modulados pela cultura”, explicam os autores.

Diferença de estatura nas regiões

  • Em contraste, nas populações do Mediterrâneo, a diferença de estatura entre os sexos era reduzida, sugerindo que não havia preferências culturais que protegessem os homens do estresse ambiental;
  • Embora não esteja claro quais fatores culturais específicos foram os responsáveis por essas diferenças, estudos anteriores mostraram que a cultura pode proteger os homens contra fatores ambientais, o que cria vulnerabilidade para as mulheres;
  • Os pesquisadores sugerem que essas diferenças mediadas culturalmente levaram a respostas de estresse específicas do sexo no período Neolítico na Europa Central, resultando em estatura feminina mais baixa;
  • No entanto, a disponibilidade limitada de dados arqueológicos é limitação significativa deste estudo.

Há associação entre a diminuição da estatura feminina e a poliginia em culturas ao redor do mundo; a altura das mulheres era mais influenciada pelas condições econômicas durante a primeira infância do que a dos homens nas classes mais baixas da Europa do século XIX; as taxas de dimorfismo sexual no Chile moderno diminuíram após a instituição de programas sociais e governamentais para combater a desigualdade de gênero; a estatura feminina do século XX diminuiu na Índia durante tempos de estresse ambiental devido ao investimento sexualmente desproporcional de recursos escassos; e foi demonstrado que a preferência por filho diminui a altura das crianças do sexo feminino nas famílias indianas, independentemente da ordem de nascimento.

Autores do estudo

“Neste estudo nos concentramo no Neolítico Inferior Europeu devido à sua relativa homogeneidade genética, cultural e ambiental, mas, com mais dados, estes métodos poderiam ser alargados a outras populações, características e escalas de tempo para explorar ainda mais os efeitos da cultura humana na variação da biologia”, indicaram os autores.