Prestes a completar três anos em Marte, o helicóptero Ingenuity, da NASA, teve decretado o fim de sua bela e bem-sucedida missão no Planeta Vermelho. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) em um comunicado da agência e compartilhado no perfil oficial do rover Perseverance no X (antigo Twitter), com uma homenagem ao “companheiro de aventuras”.

“Os sóis* não serão os mesmos sem o helicóptero Ingenuity. Obrigada, Ingenuity, por ser meu parceiro na exploração desde o início”, diz a publicação.

*os dias em Marte são chamados de sóis

Sobre o helicóptero Ingenuity:

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  • O helicóptero Ingenuity tem 1,8 kg e foi projetado para demonstrar que o voo motorizado é realmente possível em Marte, apesar da fina atmosfera do planeta;
  • A missão principal envolvia apenas cinco voos, durante 30 dias;
  • Satisfeita com os resultados obtidos, a NASA estendeu a missão, com o drone também passando a exercer a função de navegador do rover Perseverance;
  • De acordo com o registro de voo da missão, ele voou por quase 129 minutos, cobrindo cerca de 17,7 km da superfície marciana;
  • No dia 18 de janeiro, durante o 72º voo, o equipamento sofreu danos irreversíveis na lâmina do rotor, e a agência decretou o fim das operações.
Câmera do helicóptero Ingenuity, da NASA, registra estrago causado em uma das hélices do veículo. Crédito: NASA/JPL

Ingenuity entra para a história da exploração espacial como o primeiro robô a navegar pelos céus de outro planeta – algo que, desde a semana passada, ele “não é mais capaz” de fazer, segundo a NASA. 

Bill Nelson, administrador da agência, publicou um vídeo de despedida no X.

A jornada histórica do Ingenuity, a primeira aeronave em outro planeta, chegou ao fim. Esse helicóptero notável voou mais alto e mais longe do que imaginávamos e ajudou a NASA a fazer o que fazemos de melhor – tornar o impossível, possível. Por meio de missões como o Ingenuity, a NASA está abrindo caminho para voos futuros em nosso sistema solar e exploração humana mais inteligente e segura para Marte e além.

Bill Nelson, administrador da NASA

Leia mais:

Quase três anos de missão

Encarregado de mostrar que a exploração aérea é possível no Planeta Vermelho, apesar de sua fina atmosfera, o pequeno helicóptero pousou com seu parceiro de missão no chão da Cratera Jezero no dia 18 de fevereiro de 2021.

O veículo robótico movido a energia solar deixa seu nome registrado nos anais de história da aviação, cumprindo com louvor a missão de US$85 milhões de dólares, ao término de dois anos e 11 meses.

Uma das funções exercidas pelo Ingenuity foi um trabalho de exploração para o rover Perseverance em seus passeios mais longos e ambiciosos, ajudando a equipe da missão a planejar rotas e escopos de potenciais alvos científicos.

Sucesso do Ingenuity faz NASA planejar mais helicópteros para Marte

Pioneiro em determinadas tecnologias e capacidades, o Ingenuity provou que o futuro é muito favorável para a exploração aérea em Marte.

“Já iniciamos os primeiros esforços para investigar como o helicóptero Ingenuity ou plataformas semelhantes a ele agem para fazer coisas como carregar cargas científicas, como elas podem ser naves espaciais autônomas e completamente autossustentáveis que não estão ligadas a algo como um rover para cobrir distâncias maiores e acessar uma variedade de alvos científicos”, disse Jaakko Karras, vice-líder de operações do Ingenuity no JPL, em entrevista ao site Space.com. “Olhando para trás daqui a cinco ou dez anos, veremos que este foi o trampolim, o precursor da exploração aérea maior e mais ousada em Marte”.

Embora os dias de voo do Ingenuity tenham acabado, fica o legado do helicóptero. Pelos planos da NASA, outros dois veículos semelhantes foram projetados e serão lançados para ajudar o rover Perseverance a coletar amostras para retornar à Terra. 

A agência também já está desenvolvendo helicópteros maiores e mais capazes que poderiam um dia realizar outras missões científicas no Planeta Vermelho. E, se isso acontecer, muito se deve ao já saudoso ‘Ginny’.