Livro de astronomia da era renascentista tem algo escondido atrás do texto

Estudiosos de ciências da imagem dos EUA tentam decifrar o segredo escondido sob as palavras do livro antigo
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Imagem conceitual de um livro do século XV, elaborada com Inteligência Artificial. Crédito: Flavia Correia via DALL-E/Olhar Digital

Recentemente, o Instituto de Tecnologia Rochester (RIT), nos EUA, recebeu como doação dois livros de astronomia da era renascentista – e um deles parece ser um palimpsesto (como são chamados os pergaminhos ou papiros cujos conteúdos originais foram apagados para reaproveitamento do material em obras novas). 

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Alguns desses textos eram impressos em velino – um material muito caro na época, feito de peles de bezerros ou cordeiros. Por isso, muitas vezes, por uma questão de economia, os pergaminhos eram apagados e reutilizados. 

Especialistas suspeitam que um texto mais antigo esteja escondido sob as palavras do livro doado – uma versão do século 15 da obra “De sphaera mundi” (Sobre a Esfera do Mundo), do estudioso e monge do século 13 Johannes de Sacrobosco, que colocava a Terra como o centro do Universo, seguindo um modelo sugerido 12 séculos antes pelo astrônomo alexandrino Cláudio Ptolomeu.

De acordo com um comunicado do RIT, estudantes e professores de ciências da imagem da instituição tentarão decifrar as palavras apagadas.

Primeiro livro de astronomia que coloca o Sol em posição central

O outro livro doado é uma famosa obra do astrônomo polonês Nicolau Copérnico, de 1543, na qual ele mostrou, por provas matemáticas e observações do céu, que o Sol – e não a Terra – é o centro do Sistema Solar, gerações antes de o telescópio ser inventado no início do século 17.

Livro de astronomia escrito por Nicolau Copérnico e publicado em 1543, que traz as bases do entendimento de que os planetas giram em torno do Sol (e não da Terra), foi doado para a biblioteca do Instituto de Tecnologia Rochester junto com outro mais antigo, que aparenta ter sido reaproveitado. Crédito: Cary Graphic Arts Collection/RIT

Juntas, essas obras demonstram a rapidez com que a astronomia mudou no Renascimento. 

No século 16, Copérnico fazia parte de um grupo crescente de astrônomos convencidos de que o Sol está no meio das coisas, desafiando as crenças da sociedade (e da Igreja Católica) em um cosmos centrado na Terra.

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Mas o modelo centrado no Sol proposto por ele é bem diferente da realidade. Copérnico não pensava que os planetas se moviam em elipses, mas em círculos perfeitos. Além disso, ele defendia que a nossa estrela hospedeira seria o centro do Universo.

De qualquer forma, seu trabalho foi (e continua sendo) de extrema importância como base para outras pesquisas que ajudaram a compreendermos o espaço que nos cerca.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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