Uma ação coletiva contra a Amazon alega que a gigante do e-commerce de Jeff Bezos estaria forçando usuários a pagar mais caro por itens que possuem variantes mais baratas e até com entrega mais rápida.

Esse processo alega que um algoritmo tendencioso faz com que a “caixa de compra” da Amazon, que aparece na página do item e solicita que os compradores cliquem em “Compre agora” ou “Adicione ao carrinho”.

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De acordo com os clientes responsáveis pelo processo, cerca de 98% das vendas da Amazon são de itens em destaque na caixa de compra, pois os clientes, em tese, “razoavelmente” acredita que itens em destaque são as melhores ofertas na plataforma.

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“Mas, em geral, não são os certos”, afirma a reclamação, que indica que, ao invés, a Amazon destaca itens de seus próprios revendedores que participam do “Distribuição da Amazon” (FBA, da sigla em inglês: Fulfillment by Amazon), que pagam taxas mais altas à Amazon e ganham vantagens secretas, como aparecer na caixa de compra.

“O resultado é que os consumidores pagam rotineiramente a mais por itens que estão disponíveis a preços mais baixos em outros vendedores na Amazon – não porque os consumidores não se importam com o preço ou porque estão tomando decisões de compra informadas, mas porque a Amazon optou por exibir as ofertas pelas quais ganhará as taxas mais altas”, acusa o processo.

  • Autoridades nos EUA e na União Europeia (UE) investigaram o suposto algorítimo anticompetitivo;
  • A investigação confirmou que ele “favoreceu vendedores da FBA desde, ao menos, 2016”, indica a ação;
  • Em 2021, a Amazon foi processada em mais de US$ 1 bilhão (R$ 4,95 bilhões, em conversão direta) da Autoridade de Competição Italiana por conta dessas práticas injustas;
  • No ano seguinte, a Comissão Europeia obrigou a Amazon a “aplicar tratamento igual a todos os vendedores quando decidisse o que destacar na caixa de compras”.

As investigações serviram como a primeira notação pública que a caixa de compras da Amazon não era tão confiável, alegam os consumidores que processaram a empresa.

A gigante de e-commerce alegou que o algoritmo foi consertado em 2020, mas, até o momento, a companhia não parece ter dado toda a atenção necessária ao algoritmo da caixa de compras, pontua o Ars Techinca.

Como em 2023, reguladores europeus seguiram forçando a Amazon “a tomar ações futuras para mudar seu algoritmo de caráter duvidoso em suas respectivas jurisdições”, segue a reclamação.

O advogado dos clientes acusadores, Steve Berman, disse à Reuters que a Amazon colocou um grande ônus em seus clientes, que precisam gastar mais tempo na plataforma para identificar as melhores ofertas. Diferente de outras ações judiciais relacionadas à caixa de compra da Amazon, essa é a primeira que busca compensação por danos aos consumidores, e não por preocupações antitruste ou prejuízos aos vendedores. O processo foi movido em nome de todas as pessoas que fizeram compras usando a caixa de compras de 2016 até hoje.

Uma porta-voz dos advogados dos demandantes disse à Ars Technica que se espera que a classe inclua centenas de milhões de consumidores da Amazon, pois praticamente todas as compras são feitas pela caixa de compra.

Os clientes que estão processando esperam que um júri decida que a Amazon continua a direcionar intencionalmente os clientes para comprar itens mais caros na caixa de compra para aumentar seus próprios lucros.

Eles também solicitaram a um tribunal distrital dos EUA em Washington, onde a Amazon está sediada, que impeça permanentemente a empresa de utilizar algoritmos supostamente tendenciosos para impulsionar as vendas pela caixa de compra.

A quantidade de danos que a Amazon poderá ser obrigada a pagar ainda é desconhecida, mas parece ser significativa. Estima-se que 80% dos 300 milhões de usuários da Amazon sejam assinantes dos EUA, que supostamente pagaram a mais na maioria de suas compras nos últimos sete anos. No ano passado, as vendas da Amazon nos EUA ultrapassaram US$ 574 bilhões (R$ 2,84 trilhões).

A Amazon alega ser uma empresa “centrada no cliente” que trabalha para oferecer os preços mais baixos aos seus clientes, mas, segundo a ação judicial, a empresa viola o Washington Consumer Protection Act ao utilizar esquema enganoso para manter seus lucros – e os preços para os consumidores – elevados.