Responsável pela primeira erupção de máxima potência deste ano no Sol, ocorrida há uma semana, a mancha solar AR3576 voltou a explodir na madrugada desta sexta-feira (16), produzindo uma breve, mas intensa erupção solar de classe X2.5. 

De acordo com a plataforma de meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, a brevidade incomum do fenômeno pode ser a única razão pela qual ela não causou uma tempestade de radiação solar através do mecanismo conhecido como “espiral de Parker”. 

O que é a espiral de Parker

A grande mancha solar AR3576 está prestes a desaparecer sobre o lado ocidental do Sol, em relação à Terra. Tal posição a torna excepcionalmente perigosa para o nosso planeta. 

Isso porque as manchas solares localizadas nessa região estão magneticamente conectadas à Terra. O campo magnético do Sol gira em espiral como um dispersor de água girando em um jardim – efeito a que se dá o nome de “espiral de Parker”.

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No diagrama abaixo, vemos que as linhas de força magnética que saem do membro ocidental se curvam e tocam o planeta.

Crédito: Spaceweather.com

Se houver uma nova erupção nos próximos dias, que não sejam tão breves quanto a desta madrugada, os detritos podem ser canalizados para a Terra pela espiral de Parker, provocando uma tempestade de radiação.

Tempestade de radiação: o que é e o que pode causar na Terra

Tem sido muito frequente – especialmente com a aproximação do pico de atividade solar antecipado para meados deste ano – noticiarmos explosões no Sol e as consequentes tempestades geomagnéticas na Terra. 

No entanto, esse não é o único efeito que a “fúria indomável” da nossa estrela hospedeira pode causar nos planetas que a orbitam. Existem ainda as tempestades de radiação, que também são ocasionadas pelo disparo de material das erupções solares.

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Uma tempestade de radiação solar – também conhecida como Evento de Proton Solar (SPE) – ocorre quando os prótons contidos no Sol são lançados em velocidades incrivelmente altas. Essas tempestades de radiação podem fazer o trajeto Sol-Terra em apenas 30 minutos e durar vários dias. 

Como a mancha AR3576 não está direcionada à Terra, a maior parte do material solar que vier a ser lançada por ela em eventuais novas explosões não deve atingir o planeta.

No entanto, o mesmo não se pode dizer sobre os prótons, que são chamados de partículas energéticas solares que tomam o caminho da já mencionada espiral de Parker, que – por causa de sua carga elétrica – lançam os prótons para longe da estrela. 

Como dito, essa “rodovia” de partículas magnéticas se curva de volta em direção à Terra a partir do lado ocidental do Sol (de onde é mais comum a ocorrência de tempestades de partículas solares).

As tempestades de radiação podem ser de grau fraco ou mais forte, em uma escala definida pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA que vai de S1 a S5. Elas podem provocar apagões de sinais de rádio por até uma hora após o surto, além de serem especialmente perigosas para os astronautas em órbita, principalmente aqueles que estiverem em atividade extraveicular (EVA), também chamadas de caminhadas espaciais. Em casos mais extremos, os níveis de radiação podem afetar até aviões que voam em rotas polares.