Conforme noticiado pelo Olhar Digital, este ano terá um total de três eclipses: dois solares e um lunar – o primeiro deles, que aconteceu na madrugada desta segunda-feira (25).

Sobre o eclipse lunar:

  • Os eclipses lunares ocorrem quando o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados, de modo que o planeta passa entre os dois objetos e projeta uma sombra na superfície do satélite;
  • Com duração de 4h39min, este eclipse pôde ser visto de qualquer local onde a Lua estava acima do horizonte no momento do evento, como a Antártica, o Alasca, o nordeste da Rússia e o continente americano (incluindo o Brasil);
  • O auge do eclipse se deu às 4h13;
  • Desta vez, tivemos um eclipse lunar penumbral (entenda a seguir).

Existem três tipos de eclipses lunares

Conforme podemos verificar no diagrama abaixo, a sombra da Terra é dividida em duas partes: umbra e penumbra.

Diagrama demonstra a umbra e a penumbra. Crédito: TimeAndDate

Quando a Lua se posiciona totalmente na umbra, ocorre um eclipse lunar total. Já quando somente uma parte dela se encontra na umbra e a outra parte na penumbra, isso caracteriza um eclipse lunar parcial.

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No caso do evento desta madrugada, a Lua estava totalmente imersa na penumbra, portanto, foi um eclipse lunar penumbral. Mas, diferentemente dos outros dois tipos, este é um evento extremamente sutil de ser observado.

A simulação abaixo mostra a trajetória da Lua em relação à sombra da Terra. O círculo acinzentado externo é a penumbra da Terra, dentro da qual o planeta bloqueia parte da luz do Sol, fazendo com que a Lua pareça menos brilhante do que o normal, mas não completamente escura. O círculo preto interno é a umbra, dentro da qual a Terra bloqueia totalmente a luz do Sol, e onde o disco da Lua apareceria totalmente sem iluminação.

Crédito: InTheSky.org

Fenômeno raro

De acordo com o guia de observação astronômica In-The-Sky.org, esta foi uma rara ocasião em que toda a face da Lua passou dentro da penumbra da Terra, e assim a redução do brilho do satélite foi um pouco mais perceptível do que o habitual. 

Tais eventos são chamados de “eclipses lunares penumbrais totais”, e são raros porque a chance estatística de que a Lua entre na umbra da Terra em algum momento é muito alta, uma vez que tenha passado totalmente dentro de sua penumbra, podendo tornar o fenômeno um eclipse lunar parcial.

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Visibilidade do eclipse

Cada vez que a Lua orbita a Terra, ela passa quase oposta ao Sol no céu quando chega à fase cheia. Se ela orbitasse o planeta exatamente no mesmo plano que ele orbita o Sol, teríamos um eclipse lunar todos os meses.

Na verdade, o que acontece é que a órbita da Lua está inclinada em um ângulo de 5° em relação à da Terra em torno do Sol. Isso significa que o alinhamento Sol-Terra-Lua na lua cheia geralmente não é perfeito, por isso que não ocorrem eclipses lunares mensalmente.

O mapa abaixo mostra onde o eclipse de segunda-feira foi visível.

Mapa do eclipse lunar penumbral de 25 de março de 2024. Crédito: InTheSky.org

Nota-se que o Brasil todo foi beneficiado pela visibilidade do eclipse, com o centro e o oeste do país testemunhando o eclipse penumbral total e o leste presenciando o início do evento. 

Registros do eclipse lunar penumbral

Algumas plataformas online transmitiram o eclipse penumbral da Lua em tempo real, como o canal do professor e divulgador científico Marcos Calil no YouTube. Mestre e doutor em História da Astronomia, o profissional em planetários e observatórios há quase 20 anos mantém um observatório residencial arquitetado para astrovídeo em Atibaia (SP), a partir do qual promove diversas lives – como esta do eclipse.

O evento também foi registrado pelas câmeras do Observatório Espacial Heller & Jung, localizado no município de Taquara (RS). De acordo com o diretor da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) na região Sul, Carlos Fernando Jung, responsável pelo observatório, embora o eclipse penumbral da Lua seja um dos mais imperceptíveis, foi possível ver uma diminuição da luminosidade da Lua e o realce das “partes mais escuras”, que são os chamados Mares Lunares (aqui como plural de “mare”, e não de “mar”). 

Lua às 20h e no auge do eclipse, às 4h13 – diferença extremamente sutil no brilho. Crédito: Observatório Espacial Heller & Jung

Na foto acima, vemos a Lua às 20h, com mais luminosidade, e às 4h13, no momento auge, com realce dos Mares. Esse máximo, ocorrido às 4h13, também é visto no vídeo abaixo.

A seguir, alguns registros do evento que foram compartilhados na internet: