O Brasil está entre os países que mais confia e tem familiaridade com inteligência artificial (IA), superando até os desenvolvidos, conforme aponta um estudo da consultoria estadunidense Oliver Wyman. Apesar desse entusiasmo, o país ainda carece de investimentos significativos nesta tecnologia, segundo o estudo.

Para quem tem pressa:

  • Estudo da consultoria estadunidense Oliver Wyman mostra que o Brasil supera países desenvolvidos em confiança e familiaridade com inteligência artificial (IA), com 94% dos brasileiros confiando nesta tecnologia;
  • O Brasil também está entre os líderes no uso frequente de IA, com 67% dos entrevistados utilizando ferramentas de IA semanalmente. Neste quesito, o país fica atrás apenas de Índia, Indonésia e Emirados Árabes;
  • Apesar do entusiasmo brasileiro por IA, o país apresenta baixos investimentos, patentes e engajamento governamental no desenvolvimento tecnológico, o que aponta uma discrepância entre aceitação da tecnologia e suporte institucional ao desenvolvimento dela;
  • Contudo, há esforços recentes para aumentar o envolvimento do governo brasileiro com IA, incluindo a defesa de um plano nacional pelo presidente Lula (PT) e discussões legislativas sobre a regulamentação da tecnologia.
Pessoa prestes a tocar linhas de programação de inteligência artificial
(Imagem: NicoElNino/Shutterstock)

Em termos de frequência, 67% dos entrevistados brasileiros utilizam ferramentas de IA semanalmente. Isso coloca o Brasil entre os líderes nesse aspecto, atrás apenas de Índia, Emirados Árabes e Indonésia. O estudo entrevistou 25 mil pessoas em 16 países ao longo de 2023.

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IA no cotidiano brasileiro

Ilustração de mão robótica segurando folha de papel com quadrados rosas em volta
(Imagem: Rawpixel)

A pesquisa da consultoria revelou que 81% dos brasileiros estão familiarizados com IA, e 94% confiam nessa tecnologia – taxas superiores às de nações como Estados Unidos e Reino Unido. Além disso, 87% dos brasileiros relataram o uso da IA no ambiente de trabalho, acima da média global de 79%.

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Arnaud Dusaintpère, sócio da área de Varejo e Bens de Consumo da Oliver Wyman, atribui a alta confiança dos brasileiros em IA a uma cultura mais aberta a inovações digitais, segundo o jornal O Globo. Mas destaca a contradição entre o entusiasmo popular e o baixo investimento no desenvolvimento tecnológico.

O Brasil recebeu altas notas em familiaridade, confiança e adoção de IA no estudo, mas pontuou baixo em investimentos, patentes e engajamento governamental. Isso mostra a discrepância entre a aceitação da tecnologia e o suporte institucional para seu desenvolvimento.

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Ilustração de cérebro humano com diversas formas de conteúdo em holograma para representar conceito de inteligência artificial
(Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital)

Apesar do interesse das empresas brasileiras em adotar IA para melhorar eficiência e reduzir custos, o país enfrenta desafios quanto ao financiamento necessário para avançar no setor, com a maior parte dos investimentos globais concentrada na Europa e nos Estados Unidos.

Contudo, observam-se esforços recentes para aumentar o envolvimento do governo brasileiro com a tecnologia. Iniciativas como a defesa de um plano nacional para IA pelo presidente Lula (PT) e discussões legislativas sobre a regulamentação da IA indicam um movimento positivo na agenda tecnológica do Brasil.