Nosso Universo é repleto de planetas curiosos e aos poucos vamos encontrando alguns deles. É o caso do WASP-193b, um exoplaneta com uma densidade extremamente baixa descoberto há alguns anos e que teve uma nova pesquisa sobre suas propriedades publicada nesta terça-feira (14), na Nature Astronomy.

Por terem boa parte de seu volume composto por gás, planetas gasosos acabam tendo uma densidade desproporcional com seu tamanho, ao contrário do que ocorre com planetas rochosos, como a Terra. 

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Mas o caso do WASP-193b é bem extremo. Esse exoplaneta tem uma densidade extremamente baixa e pode ser enquadrado na característica de super Netunos pouco densos, como o Kepler-51. Ou seja: planetas desse tipo são bem raros.

Algumas curiosidades sobre o exoplaneta WASP-193b:

  • Ele mede 50 vezes o tamanho de Netuno;
  • Mas tem apenas 1% da densidade da Terra;
  • O planeta tem a densidade de 0,058 gramas por centímetro cúbico;
  • Enquanto o algodão doce tem cerca de 0,05 gramas por centímetro cúbico;
  • Por conta disso, o WASP-193b está sendo chamado de “planeta algodão doce”.

Mas como esse gigante ficou como algodão-doce?

Exoplanetas gasosos muito próximos de suas estrelas costumam se expandir por conta do calor na atmosfera e o aquecimento de gases como hidrogênio e hélio. Essa combinação poderosa pode transformar esses planetas em “balões”.

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“A razão pela qual é próximo do algodão doce é porque ambos são praticamente ar. O planeta é basicamente super fofo”, diz o cientista planetário Julien de Wit, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ao ScienceAlert.

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No caso do WASP-193b, ele orbita sua estrela em apenas 6,25 dias terrestres: ou seja, está bem perto dela. Entretanto, outras situações nesse caso chamaram a atenção da equipe da universidade durante o estudo.

exoplaneta WASP-193b
exoplaneta WASP-193b (Imagem: Universidade de Liége)

Exoplanetas como este só costumam manter essa característica de “balão” enquanto suas estrelas são jovens e quentes. Ou seja: é um processo temporário. Mas com o WASP-193b isso não procede, já que seu sol parece ter seis bilhões de anos.

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Os pesquisadores ainda precisam de mais análises para entender o que exatamente acontece no “planeta algodão-doce”, mas é esperado que exista algum mecanismo interno que reage com o aquecimento e expande a atmosfera. 

“A sua densidade extremamente baixa torna-o numa verdadeira anomalia entre os mais de cinco mil exoplanetas descobertos até hoje. Esta densidade extremamente baixa não pode ser reproduzida por modelos padrão de gigantes gasosos irradiados, mesmo sob a suposição irrealista de uma estrutura sem núcleo. O WASP-193b é um mistério cósmico. Resolvê-lo exigirá mais trabalho observacional e teórico”, conclui Khalid Barkaoui, da Universidade de Liège, na Bélgica, e líder do estudo.