Este planeta é maior que Júpiter, mas tão denso quanto algodão-doce 

O WASP-193B é tão leve e fofo que parece ser feito de algodão-doce
Lucas Soares
Lucas Soares 14/05/2024 10:55, atualizada em 14/05/2024 10:56
Planeta algodão-doce
Planeta algodão-doce (Imagem: reprodução)

Nosso Universo é repleto de planetas curiosos e aos poucos vamos encontrando alguns deles. É o caso do WASP-193b, um exoplaneta com uma densidade extremamente baixa descoberto há alguns anos e que teve uma nova pesquisa sobre suas propriedades publicada nesta terça-feira (14), na Nature Astronomy.

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Por terem boa parte de seu volume composto por gás, planetas gasosos acabam tendo uma densidade desproporcional com seu tamanho, ao contrário do que ocorre com planetas rochosos, como a Terra. 

Mas o caso do WASP-193b é bem extremo. Esse exoplaneta tem uma densidade extremamente baixa e pode ser enquadrado na característica de super Netunos pouco densos, como o Kepler-51. Ou seja: planetas desse tipo são bem raros.

Algumas curiosidades sobre o exoplaneta WASP-193b:

  • Ele mede 50 vezes o tamanho de Netuno;
  • Mas tem apenas 1% da densidade da Terra;
  • O planeta tem a densidade de 0,058 gramas por centímetro cúbico;
  • Enquanto o algodão doce tem cerca de 0,05 gramas por centímetro cúbico;
  • Por conta disso, o WASP-193b está sendo chamado de “planeta algodão doce”.

Mas como esse gigante ficou como algodão-doce?

Exoplanetas gasosos muito próximos de suas estrelas costumam se expandir por conta do calor na atmosfera e o aquecimento de gases como hidrogênio e hélio. Essa combinação poderosa pode transformar esses planetas em “balões”.

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“A razão pela qual é próximo do algodão doce é porque ambos são praticamente ar. O planeta é basicamente super fofo”, diz o cientista planetário Julien de Wit, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ao ScienceAlert.

No caso do WASP-193b, ele orbita sua estrela em apenas 6,25 dias terrestres: ou seja, está bem perto dela. Entretanto, outras situações nesse caso chamaram a atenção da equipe da universidade durante o estudo.

exoplaneta WASP-193b
exoplaneta WASP-193b (Imagem: Universidade de Liége)

Exoplanetas como este só costumam manter essa característica de “balão” enquanto suas estrelas são jovens e quentes. Ou seja: é um processo temporário. Mas com o WASP-193b isso não procede, já que seu sol parece ter seis bilhões de anos.

Os pesquisadores ainda precisam de mais análises para entender o que exatamente acontece no “planeta algodão-doce”, mas é esperado que exista algum mecanismo interno que reage com o aquecimento e expande a atmosfera. 

“A sua densidade extremamente baixa torna-o numa verdadeira anomalia entre os mais de cinco mil exoplanetas descobertos até hoje. Esta densidade extremamente baixa não pode ser reproduzida por modelos padrão de gigantes gasosos irradiados, mesmo sob a suposição irrealista de uma estrutura sem núcleo. O WASP-193b é um mistério cósmico. Resolvê-lo exigirá mais trabalho observacional e teórico”, conclui Khalid Barkaoui, da Universidade de Liège, na Bélgica, e líder do estudo.

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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