Interferência nas eleições

Mais de 80% das eleições no mundo são afetadas por interferência online

Vinicius Szafran, editado por Matheus Luque 05/11/2019 16h16
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Relatório diz que Estados e elementos partidários usaram redes para disseminar notícias falsas, memes enganosos e teorias conspiratórias

Governos e órgãos locais se envolveram em formas de interferência pela internet na tentativa de influenciar eleições em 26 de 30 nações estudadas por uma agência de monitoramento da democracia ao longo do ano passado, que avaliou também a situação no Brasil. As informações são da agência de notícias Reuters.


A Freedom House, que é financiada em parte pelo governo dos Estados Unidos, disse em seu relatório anual que a interferência eleitoral online se tornou uma "estratégia essencial" para aqueles que querem perturbar a democracia.

Reprodução/Freedom House

A desinformação e a propaganda foram as ferramentas mais populares usadas, segundo a pesquisa. "Estados e elementos partidários usaram redes sociais para disseminar teorias conspiratórias e memes enganosos, muitas vezes trabalhando em paralelo com personalidades midiáticas e figuras do empresariado simpatizantes do governo", disse.

"Muitos governos estão descobrindo que, nas redes sociais, a propaganda funciona melhor do que a censura", explicou Mike Abramowitz, presidente da Freedom House. "Autoritários e populistas de todo o globo estão explorando tanto a natureza humana quanto algoritmos de computador para conquistarem as urnas, tripudiando regras concebidas para garantir eleições livres e justas."

Alguns daqueles que tentam manipular as eleições desenvolveram táticas para driblar os esforços das empresas de tecnologia para combater notícias falsas e enganosas. No Brasil, por exemplo, o relatório afirma que o então "candidato populista de direita Jair Bolsonaro capturou a presidência depois de um período eleitoral conturbado marcado por campanhas de desinformação e violência política."

Reprodução/Freedom House

Já nas Filipinas, a pesquisa revela que candidatos pagaram "micro-influenciadores" de redes sociais para divulgarem suas campanhas no Facebook, Twitter e Instagram, onde polvilharam suas preferências políticas em meio a conteúdos de cultura popular.

Ainda de acordo com o relatório da Freedom House, a desinformação online prevaleceu nos Estados Unidos na iminência de grandes eventos políticos, como as eleições de meio de mandato em 2018 e a audiência de confirmação de Brett Kavanaugh, juiz indicado à Suprema Corte.

A Freedom House descobriu também um aumento no número de governos usando bots e contas falsas para moldar sorrateiramente as opiniões na internet e assediar oponentes. Esse comportamento foi visto em 38 dos 65 países analisados.

Além disso, as redes sociais estão sendo cada vez mais usadas para vigilância em massa, já que autoridades de ao menos 40 países instituíram programas avançados de monitoramento destas plataformas.

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