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A Diretora de Operações (COO, Chief Operating Officer) do Facebook, Sheryl Sandberg, afirmou nesta segunda-feira que a empresa “não tem planos” para reverter o banimento da conta de Donald Trump em suas redes sociais. 

“O banimento é por tempo indeterminado. Dissemos que ao menos durante a transição, mas no momento não temos planos para suspendê-lo”, afirmou a executiva durante a conferência Reuters Next.

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“Neste momento, o risco à nossa democracia era tão grande que sentimos que era necessário tomar esta medida sem precedentes que é um banimento por tempo indeterminado, e estou feliz por termos feito isso”, disse ela.

As palavras de Sandberg refletem a explicação dada pelo próprio Facebook ao anunciar a decisão, na última quinta-feira (7): “acreditamos que os riscos em permitir que o Presidente Trump continue usando nosso serviço durante este período são simplesmente grandes demais, então estamos ampliando a suspensão que colocamos em suas contas no Facebook e Instagram indefinidamente, e por pelo menos as próximas duas semanas”

Outras punições

Além do Facebook o Twitter, plataforma preferida do presidente, onde tem 8 milhões de seguidores, também tomou a decisão de suspender permanentemente a conta de Trump, alegando “risco de incitação de mais violência”. 

Outras redes sociais, como o Twitch, também suspenderam o perfil do presidente. “Devido ao ataque chocante de ontem (6) ao Capitólio, desativamos o canal do presidente Trump no Twitch”, disse um porta-voz da empresa em um comunicado.

“Dadas as atuais circunstâncias extraordinárias e a retórica inflamatória do presidente, acreditamos que este é um passo necessário para proteger nossa comunidade e evitar que Twitch seja usado para incitar mais violência”, completa. O canal foi criado em outubro de 2019 para divulgar eventos de campanha.

Outras empresas estão tomando medidas para se distanciar de Trump e seus apoiadores. A Stripe, fintech que faz o processamento de pagamentos com cartão de crédito, anunciou que não irá mais aceitar pagamentos à campanha de Trump. Após as eleições o site vinha sendo usado para arrecadar fundos para cobrir as despesas legais com as tentativas de reverter o resultado e anular a vitória de Joe Biden.

Já o Parler, rede social popular entre extremistas, racistas, e xenófobos, muitos deles fãs ardorosos de Trump, foi praticamente varrido da Internet. Google e Apple removeram o app de suas lojas de aplicativos, e a Amazon encerrou o serviço de hospedagem que fornecia à empresa. Com isso, na prática, a rede deixou de operar. Entretanto, seu CEO afirma estar preparado para uma situação como esta, e que ela voltará “em breve”

Grandes empresas de tecnologia suspendem contribuições políticas

O ataque ao capitólio está afetando não só os políticos de extrema-direita, mas o setor politico dos EUA como um todo. Segundo o The Verge, várias gigantes da tecnologia anunciaram que estão suspendendo suas contribuições aos PACs (Political Action Comitee, Comitê de Ação Política), ONGs que arrecadam contribuições de seus membros e doam este valor às campanhas de candidatos que representam seus interesses.

“Após a terrível violência na semana passada em DC, estamos pausando todas as nossas contribuições aos PACs ao menos pelo trimestre atual, enquanto revisamos nossa política interna”, disse Daniel Roberts, porta-voz do Facebook, em declaração ao The Verge.

A Microsoft também está pausando suas contribuições políticas “até que possamos determinar as implicações dos eventos da semana passada”, afirmou um porta-voz. “Nosso PAC regularmente pausa suas doações no primeiro trimestre de um novo congresso, mas neste ano tomaremos medidas extras para levar em consideração os eventos recentes e consultar nossos funcionários”.

A operadora de telefonia AT&T também anunciou nesta segunda-feira que irá “suspender contribuições a todos os membros do congresso que se opuseram à certificação dos votos do Colégio Eleitoral na semana passada”. O Airbnb também anunciou em seu blog que está suspendendo as contribuições a todos os que votaram contra a certificação dos resultados da eleição presidencial”.

Fonte: Reuters