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A Nokia anunciou nesta terça-feira (16) que planeja cortar até 10 mil empregos nos próximos dois anos. A ideia é reduzir os custos da companhia e focar em novos investimentos em pesquisa e tecnologias, como o 5G.

Desta forma, a empresa finlandesa de telecomunicações espera acirrar a concorrência com as rivais Ericsson, da Suécia, e com a chinesa Huawei.

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Na prática, a Nokia passará a ter entre 80 mil e 85 mil funcionários. A França será um dos únicos países que ficará de fora da reestruturação, já que limou mais de mil empregos no ano passado.

“Esses planos são globais e provavelmente afetarão a maioria dos países. Na Europa, acabamos de informar os conselhos das empresas locais e esperamos que os processos de consulta comecem em breve, quando aplicável”, afirmou um representante da Nokia.

Smartphone exibindo o logo da Nokia e ao fundo uma ilustração representando a tecnologia 5G
Nokia vai cortar empregos para investir em pesquisa e tecnologia. Foto: Mercurious/Shutterstock

A reestruturação visa diminuir a base de custos da companhia em 600 milhões de euros (ou R$ 4 bilhões, em conversão direta) até o fim de 2023. Toda essa economia será redirecionada para expandir investimentos em pesquisas e capacidades futuras — como o 5G —, além de tecnologias em nuvem e infraestrutura digital.

Além disso, o corte de empregos deve minimizar um possível deficit anual da empresa neste ano. Em fevereiro, a companhia estimou que a receita de 2021 ficaria entre 20,6 bilhões e 21,8 bilhões de euros, abaixo do superavit de 21,9 bilhões de euros alcançados em 2020.

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Desde que assumiu a presidência da Nokia em 2020, o executivo Pekka Lundmark tem feito diversas mudanças para reparar os erros da gestão passada que prejudicaram a participação da companhia no setor 5G e culminaram na queda de suas ações.

Não à toa, Lundmark anunciou uma estratégia agressiva em outubro do ano passado, na qual a Nokia terá quatro grupos de negócios. Na época, o executivo também afirmou que a empresa fará “o que for preciso” para assumir a liderança em 5G, com a ideia de capturar parte da participação da Huawei.

A tarefa, no entanto, não será fácil. Sem contar a grande notoriedade da chinesa no setor de 5G, a Nokia ainda tem a Ericsson como obstáculo — que desbancou a Nokia e conquistou contratos de rádio 5G na China.

Para piorar, a empresa finlandesa de telecomunicações perdeu para a Samsung Eletronics parte do fornecimento de equipamento de 5G para a Verizon.

Resta saber se os planos de Pekka Lundmark surtirão efeito no longo prazo ou estenderão os problemas de gestão da Nokia.

Fonte: Reuters