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A União Química entrou com um novo pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial da vacina Sputnik V nesta sexta-feira (26). Em janeiro, o órgão devolveu um primeiro pedido de autorização após a falta de documentação da farmacêutica. A empresa tinha até 16 de maio para enviar os dados faltantes, nessa data, termina o prazo de 120 dias para o cumprimento dos requisitos.

Em entrevista para o jornalista José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, confirmou a informação. “São milhares de páginas, bastante pesado, já está sendo analisado por nós e, o nosso desejo, é de que quanto mais vacinas disponíveis, melhor”, explicou.

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Ainda de acordo com o presidente do órgão, toda documentação que foi entregue no começo do ano vai ser reaproveitada, não precisando de uma nova análise completa, o que pode reduzir o tempo necessário para essa aprovação. Por lei, a agência precisa analisar pedidos de uso emergencial de vacinas contra Covid-19 em até sete dias úteis, esse prazo pode ser pausado caso falte algum documento.

O presidente do grupo União Química, Fernando Castro Marques, disse na entrevista que em breve vai ocorrer uma visita de membros da Anvisa e do Ministério da Saúde na fábrica da farmacêutica em Brasília, onde vai se produzido o princípio ativo da vacina. O envasamento vai ser feito em uma unidade de Guarulhos, na grande São Paulo. “Na terça-feira (30) está marcada a visita na nova fábrica de Brasília, junto com o ministério da saúde para ver a fabricação da Sputnik V no Brasil”, explicou.

Sobre prazos, Castro Marques afirmou que, assim que aprovado, a União Química pode começar a produção. A expectativa é de que isso aconteça no próximo mês. “Ocorrendo a aprovação agora em abril já podemos começar a fabricar 8 milhões de doses da Sputnik V por mês”, comentou.

Envio da documentação

No começo da semana, a Anvisa respondeu um áudio vazado do presidente da União Química dizendo que o órgão estava favorecendo o Instituto Butantan e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em relação à vacinação contra a Covid-19 no Brasil, e impedindo a aprovação do uso emergencial da Sputnik V. A agência afirmou que “é um órgão de Estado, com a missão de garantir a segurança sanitária da população brasileira.”

Barra Torres também comentou que “não importa para a Anvisa de onde vem a vacina, o que importa é que ela será analisada por nós se o fabricante pedir. Constatando os níveis ideais de segurança e eficácia, a vacina vai ter a autorização de uso emergencial”, explicou.

Na entrevista, Castro Marques criticou novamente a ausência de empresas privadas no setor de fabricação de vacinas no Brasil e disse que isso precisa ir além dos institutos governamentais, mas elogiou a atuação da Anvisa. “Tem que acabar o monopólio da vacinação no Brasil. Nós precisamos nos preparar para outras pandemias e isso não pode ficar só na mão do estado”, finaliza.

O Governo Federal assinou um contrato com a União Química para compra de 10 milhões de doses da Sputnik V. O Consórcio Nordeste, que reúne governadores dessa região, também tem um contrato para aquisição de 37 milhões de doses do imunizante.

Foto de destaque: vovidzha/Shutterstock