Uma nova pesquisa sugere que raios podem ajudar a limpar a atmosfera de químicos poluentes. Foi o que reportaram pesquisadores após observarem, através de aviões que acompanham tempestades, que os fenômenos produzem altas concentrações de dois oxidantes poderosos.

Os oxidantes ajudam a limpar o ar, reagindo com produtos poluentes, como o metano, por exemplo. Juntos, eles formam moléculas mais solúveis ou grudentas. Com essas “texturas”, a chuva consegue tirar a sujeira da atmosfera terrestre. O artigo com o estudo foi publicado na revista Science e conta com acadêmicos de diversas universidades dos Estados Unidos.

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Previamente, já se sabia que os raios produzem óxido nítrico (NO), levando à formação de oxidantes, como aqueles com o radical hidroxila (OH). Mas, antes ninguém havia visto as descargas elétricas criarem esses oxidantes em grande quantidade.

Os dados são antigos, mas precisaram de tempo para análise. Um jato da Nasa mediu dois oxidantes em nuvens de tempestades pelos estados norte-americanos do Colorado, Oklahoma e Texas, entre maio e junho de 2012. Além do OH, foi encontrado o radical hidroperoxila (HO2).

Por volta de 1,8 tempestades de raios circulam o planeta a todo momento. Imagem: ArtHouse Studio/Pexels

A concentração de moléculas tanto do OH como do HO2 gerados pelos raios e outras áreas eletrificadas do ar foi altíssima. Os valores chegaram a milhares de partes por trilhão em alguns trechos das nuvens. A maior quantidade observada de OH na atmosfera antes disse foi baixíssima. Já o HO2 somou 150 partes por trilhão.

“Não esperávamos ver isso. Nós arquivamos os dados, porque era muito extremo”, contou William Brune, cientista do departamento de meteorologia da Penn State University, na Pensilvânia.

Mas, no laboratório, ele observou que não havia nada de errado com os dados coletados há quase uma década. Experimentos mostraram que a eletricidade consegue de fato gerar essa alta quantidade de OH e HO2, confirmando que os valores dos oxidantes era real.

Segundo os cientistas, cerca de 1.800 tempestades de raios circulam o planeta a todo momento, o que faz com que os pesquisadores envolvidos no estudo estimem que os fenômenos são responsáveis por entre 2% e 16% do OH presente na atmosfera. Para definir melhor o percentual, mais nuvens precisam ser averiguadas.

Via: Science News