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Pesquisadores descobriram que um felino gigante com mais de 400 kg viveu na América do Norte há milhões de anos. O animal era capaz de abater presas com mais que o dobro do seu peso, indicou um novo estudo publicado nesta segunda-feira (3) pela Sociedade para o Estudo da Evolução dos Mamíferos nos EUA.

De início, os estudiosos compararam fósseis e amostras de ossos (cotovelos e dentes) de todo o mundo para tentar identificar o grande felino, cujo antebraço é uma de suas principais armas para dominar suas presas.

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O coautor do estudo foi Jonathan Calede, professor assistente de evolução, ecologia e biologia orgânica da Universidade Estadual de Ohio. Ele revelou que esses animais eram capazes de caçar presas “do tamanho de bisões” e indica que este era “o maior felino vivo” naquela época.

Quem iniciou o projeto foi John Orcutt, professor assistente de biologia na Gonzaga University. Ele determinou que a nova espécie é um parente antigo do Smilodon (tigre dente-de-sabre), extinto há 10 mil anos. Ossos do felino gigante foram encontrados em escavações nas terras da tribo indígena Cayuse, no estado de Oregon.

Calede e Orcutt nomearam a nova espécie como: ‘Machairodus lahayishupup’. ‘Machairodus’ é um gênero de grandes felinos dente-de-sabre que viveram na África, Eurásia e na América do Norte. Já ‘Laháyis Húpup’ significa “gato selvagem antigo” no idioma Cayuse.

Réplica realista em tamanho real do tigre dente-de-sabre (Smilodon). Imagem: AKKHARAT JARUSILAWONG/Shutterstock

“Estamos bastante confiantes de que é um felino dente-de-sabre, uma nova espécie do gênero Machairodus (tigre dente-de-sabre)”, informou Orcutt. Os pesquisadores calcularam o tamanho da nova espécie de “gato gigante” associando as medidas das amostras de seus ossos com a massa corporal dos grandes felinos modernos. Suas presas foram determinadas com base nos animais que viviam na região naquela época, ou seja, rinocerontes, camelos gigantes e preguiças-gigantes.

Orcutt e Calede encontraram fósseis semelhantes no Museu de História Natural de Idaho, no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia e no Museu Memorial do Texas. Algumas suposições baseadas em sua idade indicam que o animal viveu entre 5 e 9 milhões de anos atrás. O maior dos ossos disponível para a análise tinha mais de 45 cm de comprimento e 4,3 cm de diâmetro. Em comparação, o mesmo osso (o úmero médio) de um leão adulto mede 33 cm.

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Cotovelo pode distinguir espécies de felinos

Os pesquisadores ainda levantaram outra hipótese: se um osso foi suficiente para distinguir o felino de grande porte, isso também poderia funcionar para outras espécies. Sendo assim, Calede e Orcutt visitaram vários museus ao redor do mundo catalogando leões, pumas, panteras, onças e tigres, bem como fósseis de outros felinos extintos.

Para isso, eles usaram um software que colocava pontos de referência em cada amostra. Quando comparadas, o programa criava um modelo digitalizado do cotovelo dos animais. “Descobrimos que podíamos quantificar as diferenças em uma escala bastante precisa”, disse Calede.

Estabelecer que apenas uma porção do cotovelo é suficiente para identificar um felino tem implicações importantes, já que os ossos do antebraço dos felinos dentes-de-sabre, por exemplo, são os mais comuns encontrados nas escavações.

Ainda assim, o estudo conclui que apenas uma reconstrução da história evolutiva dos felinos pode determinar onde essa nova espécie se encaixa. Orcutt e Calede acreditam que o ‘Machairodus lahayishupup’ existiu logo no início da evolução dos grandes felinos.

Fonte: Phys.org