O mais belo dos planetas do Sistema Solar teve mais um segredo revelado. Um novo estudo aponta que o núcleo de Saturno não é o pedaço de rocha e gelo que cientistas imaginavam no passado. Ao invés disso, o centro do gigante gasoso é difuso e formado por grandes quantidades de hidrogênio e hélio.

Esses gases que compõem o núcleo de Saturno se estendem por 70 mil quilômetros, representando cerca de 60% do diâmetro do planeta. O relatório dos pesquisadores foi publicado no dia 28 de abril, no site arXiv.org.

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O astrônomo Christopher Mankovich e o astrofísico Jum Fuller, da Caltech, descobriram essa composição graças a ajuda de um dos anéis de Saturno. Eles examinaram os anéis e uma onda em um deles revelou as propriedades do núcleo.

O princípio é parecido com o que sismólogos usam: terremotos são usados para mostrar como é o interior da Terra. Assim, oscilações dentro de Saturno podem revelar sua composição interna. Esses movimentos alteram a força gravitacional, produzindo ondas nos anéis. Principalmente no anel C, o mais perto do planeta entre os três principais.

Saturno e algumas de suas luas. Imagem: Nasa

Em uma dessas ondulações, junto a dados do campo gravitacional de Saturno coletados pela sonda Cassini, os cientistas viram que o núcleo de Saturno tem o peso de 17 Terras de pedra e gelo. Mas, além disso, há bastante hidrogênio e hélio misturados lá dentro.

Com isso tudo somado, o núcleo corresponde à massa de 55 Terras, mais da metade do total de Saturno, que equivale a 95 vezes a massa de nosso planeta.

“A distribuição gradual de elementos pesados restringe os processos de mistura em funcionamento em Saturno e pode refletir a estrutura primordial do planeta e seu histórico de acúmulo de material”, diz o resumo do estudo.

A descoberta também dá uma luz sobre a formação de Saturno. Teorias antigas afirmam que o planeta se formou quando rocha e gelo, orbitando o sol, começaram a conglomerar.

Gases leves embrulham materiais sólidos no centro, formando um núcleo compacto. Só depois, o núcleo atrai o hidrogênio e o hélio, elementos gasosos na Terra, mas líquidos em Saturno pela força da gravidade.

Porém, o estudo de Mankovich e Fuller ajuda a manter uma teoria mais atual, de que a maior parte dos gases foi incorporada ao núcleo rochoso e gelado quando se formava, há 4,6 bilhões de anos. Enquanto o planeta adicionava massa, a proporção do gás aumentou.

O tipo de oscilação que Mankovich e Fuller detectam dentro de Saturno também implica que o núcleo é estável, em vez de borbulhar como uma panela de água fervente em um fogão, que é uma maneira pela qual um planeta pode transportar calor de seu interior quente para fora. A estabilidade do núcleo pode ajudar a explicar um enigma de longa data: por que Saturno emite mais energia do que recebe do Sol.

As novas informações devem ajudar cientistas planetários a entenderem os gigantes gasosos do Sistema Solar e outros planetas similares orbitando outras estrelas. O estudo será publicado, futuramente, na revista Nature Astronomy.

Via: Science News

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