Enquanto as autoridades de saúde dos EUA se preparam para aprovar o uso emergencial do imunizante da Pfizer contra o coronavírus para crianças, uma nova pesquisa aponta que menos de um terço dos pais imunizariam seus filhos assim que as vacinas fossem aprovadas para menores.

Segundo o estudo, que foi conduzido de 15 a 29 de abril entre 2.097 adultos, somente 29% dos pais de crianças menores de 18 anos disseram que levariam seus filhos para um local de vacinação “imediatamente”, de acordo com dados publicados na quinta-feira (6) pela Kaiser Family Foundation.

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Em torno de 32% esperariam para ver como a fórmula está agindo antes de aplicar em seu filho, enquanto 15% afirmaram que seu filho seria vacinado apenas se sua escola exigir. O índice de pais que definitivamente não levariam os dependentes para serem vacinados é de 19%.

Pesquisa aponta que 29% dos pais americanos vacinariam seus filhos imediatamente, e 32% afirmaram que preferem esperar./ Imagem: VDB Photos – Shutterstock

Esses números não se afastam muito do que foi identificado entre os adultos americanos no fim de 2020 em outra pesquisa da Kaiser. Na época, 34% disseram que receberiam a vacina o mais rápido possível, enquanto 39% afirmaram que esperariam para ver.

Tais pensamentos mudaram com o tempo. Dados mais recentes, de abril, mostram que cerca de 64% dos adultos americanos informam que já receberam uma vacina ou que a tomariam o mais rápido possível, e apenas 15% dizem que preferem aguardar.

As intenções dos pais em relação aos filhos refletem suas intenções para consigo mesmos. Entre os pais que já receberam pelo menos uma dose ou querem o mais rápido possível, 48% disseram que vacinariam seus filhos imediatamente, e 29% afirmaram que esperariam para ver.

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Especialistas em saúde pública afirmam que vacinar crianças é a chave para acabar com a pandemia

Especialistas ouvidos pelo britânico The Guardian acreditam que vacinar os pequenos pode ser a chave para o fim da pandemia. 

Segundo John Edmunds, membro do Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (Sage) do Reino Unido, até que todos – incluindo crianças – sejam imunizados, existe um “risco significativo de ressurgimento” do vírus. 

De acordo com Stanley Plotkin, médico que inventou a vacina contra rubéola e atua como consultor na área de imunizações, “não é possível ter esperança de erradicar o vírus, a menos que possamos imunizar a maioria da população”.

Para Paul Heath, professor de doenças infecciosas pediátricas da Universidade de Londres e principal investigador do braço britânico da farmacêutica americana Novavax, a infecção contínua nos pequenos seria potencialmente um reservatório de infecção para adultos não vacinados e idosos. “Pode ser uma estratégia razoável, portanto, vacinar crianças para que não possam transmitir a esses adultos suscetíveis.”

Especialistas como o professor Gonzalo Vecina Neto, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantem que a vacinação de crianças e a chave para acabar com a pandemia. / Imagem: FSP-USP

Aqui no Brasil, o fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, reforça o coro. “Terminar a vacinação não é o mesmo que terminar a pandemia”, pontua. “Primeiro, tem de vacinar a população com menos de 18 anos – que são 50 a 60 milhões de pessoas”.

Pfizer e a Moderna já testam suas fórmulas em bebês de 6 meses 

De acordo com a CNN, a Pfizer e a Moderna já estão testando suas vacinas em crianças de apenas 6 meses de idade. Esses laboratórios esperam solicitar à agência americana equivalente à nossa Anvisa, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), uma autorização de uso emergencial para bebês e crianças ainda neste ano. A Pfizer, por exemplo, afirma solicitará em setembro a autorização de uso de emergência para crianças de 2 a 11 anos.

Vacina da Pfizer
Pfizer afirma que solicitará autorização de uso de emergência de sua vacina para crianças de 2 a 11 anos em setembro. / Imagem: Tai Dundua/Shutterstock

Como gerir a vacinação para toda a população

Enquanto a vacina da Pfizer está autorizada nos EUA para pessoas com 16 anos ou mais, duas outras – da Moderna e da Janssen – são para maiores de 18 anos.

Mollyann Brodie, vice-presidente executivo do Programa de Pesquisa de Opinião Pública e Pesquisa da Kaiser, afirmou ao The New York Times que, para inocular a população que ainda não foi vacinada, não existe uma estratégia única. “Devem haver muitos esforços direcionados individualmente. As pessoas que ainda estão em cima do muro têm barreiras logísticas, necessidades de informação e muitos ainda não sabem se são elegíveis. Cada estratégia pode levar um pequeno número de pessoas a serem vacinadas, mas, em conjunto, isso pode importar muito”.

Fontes: Medical Xpress / Revista Crescer