Mesmo diante de um cenário de incertezas por conta da pandemia de coronavírus, o ano de 2021 tem se mostrado um período extremamente positivo para o mercado de venture capital no Brasil. Isso porque em apenas cinco meses, os aportes recebidos pelas startups nacionais atingiram a marca de US$ 3,2 bilhões (aproximadamente R$ 16,5 bilhões, em conversão direta), de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (1°) pelo hub de inovação Distrito.

O número representa 90% de todos os investimentos feitos em startups brasileiras no ano passado. Quando comparados aos dados do mesmo período (de janeiro a maio) de 2020, os resultados são ainda mais surpreendentes: é observado um aumento de 293% dos aportes nas empresas do Brasil.

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Só no mês de maio, por exemplo, o QuintoAndar recebeu um aporte de US$ 300 milhões — o que posicionou a empresa como a segunda maior startup do Brasil. Outros grandes investimentos no mesmo mês contemplaram o aporte de US$ 190 milhões na Cloudwalk e os investimentos de US$ 26 milhões e US$ 23 milhões, captados por Hashdex e Sensedia, respectivamente.

E se os números do mercado de venture capital no Brasil já são favoráveis, a situação pode ficar ainda melhor. Para o cofundador do Distrito, Gustavo Gierun, o volume aportado nas startups no ano passado deve ser alcançado ainda neste mês. Já o total de investimentos ao longo deste ano pode atingir algo entre US$ 4,5 bilhões (R$ 23 bilhões) ou US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões).

Ilustração de investimentos
Alta nos investimentos em startups brasileiras refletem o cenário positivo do mercado de venture capital no país. Foto: ITTIGallery/Shutterstock

Fintechs seguem na liderança

Ainda de acordo com os dados divulgados pelo report Inside Venture Capital, as startups que desenvolvem produtos financeiros totalmente digitais (fintechs) foram as que mais receberam aportes em 2021, captando US$ 1,15 bilhões.

Já o setor de real estate, que engloba empresas do setor imobiliário, ficou na segunda colocação. Embora existam poucos players neste mercado, as startups do segmento captaram US$ 825 milhões.

O top 5 ainda contempla as startups de retailtech, as edtechs e as healthtechs, com captações de US$ 632 milhões, US$ 380 milhões e US$ 88,8 milhões, respectivamente.

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Motivos do crescimento

Os dados comprovam que o mercado de venture capital tem seguido uma direção contrária aos impactos econômicos provocados pela Covid-19. Apesar dos riscos, os investidores têm demonstrado um “apetite” considerável para investimentos nas startups brasileiras, o que pode ser explicado por inúmeros fatores.

O primeiro deles, de acordo com Gierun, é a consolidação do mercado de startups brasileiro. “Os cases de sucesso de startups são importantes. Com isso, cria-se melhores empreendedores no mercado e são atraídas atenções de fundos locais e estrangeiros”, apontou o executivo, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira.

Investimentos no Brasil
Apesar da crise sanitária instaurada no país, investidores têm encontrado boas oportunidades no mercado de startups brasileiro. Foto: Imagine Photographer/Shutterstock

O cofundador do Distrito também destaca a transformação digital que vem ocorrendo no Brasil. Inclusive, esse é um dos pontos que explicam o crescimento de fintechs, edtechs, medtechs e diversas empresas que tenham como alicerces inovação e tecnologia.

Além disso, o executivo reforça o potencial do mercado brasileiro. “O Brasil ainda é um país com muitas oportunidades. Os fundos vão sempre comparar onde estão as melhores oportunidades e onde se tem menos competitividade”, reforçou.

Mercado de M&A segue aquecido

Os dados divulgados evidenciaram ainda o bom momento do mercado de fusões e aquisições. Só em maio, foram registradas 16 operações.

Já no recorte, até o breve momento deste ano, foram reportadas 91 transações, o que representa mais de 53% do total realizado em 2020 (170) e alta de 116% em relação ao mesmo período do ano passado.

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