Nos últimos cinco anos, um acordo de trégua entre Microsoft e Google impediu que ambas as big techs trocassem denúncias e acusações judiciais umas contra as outras, refletindo as desavenças ocorridas no passado. No entanto, de acordo com a Bloomberg, esse pacto foi encerrado em abril deste ano, o que pode significar o recomeço do duelo entre as gigantes.

Com a assunção de novos CEOs em suas respectivas empresas — Satya Nadella na Microsoft e Sundar Pichai no Google —, ambas as companhias resolveram assinar um acordo de cessar-fogo, no último quadrimestre de 2015, já que estavam envolvidas em 18 processos judiciais.

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O acordo propôs que possíveis desavenças fossem resolvidas internamente entre as empresas, sem a necessidade de levar os casos a reguladores. Funcionou por um bom tempo, é verdade. Mas o tratado de paz chegou ao fim após a Microsoft sentir que o Google não estava agindo corretamente com as tecnologias de anúncios.

O impasse surgiu cerca de três anos após a trégua. A empresa de Satya Nadella alegou que o Google tratou com descaso o suporte a alguns formatos de anúncios do Bing — ferramenta de buscas da Microsoft — em sua ferramenta Search Ads 360.

Como resultado disso, os anunciantes passaram a achar mais fácil comprar ads no Google do que em outras ferramentas de buscas como Bing, DuckDuckGo, Yahoo, entre outras.

Para piorar a situação, um procurador-geral estadual dos EUA moveu um processo antitruste contra o Google ao afirmar que a big tech favorece sua própria plataforma por meio de leilões automatizados que otimizam ofertas. Naturalmente, a Microsoft não gostou nada disso.

Microsoft acusa de Google de não “jogar limpo” com tecnologias de anúncios. Foto: pixinoo/Shutterstock

Quando um não quer…

Sem contar as discussões se os motores de buscam devem ou não pagar editores de notícias, as acusações sobre atividades anticompetitivas aumentaram os atritos entre Microsoft e Google nesses últimos anos.

De acordo com a Bloomberg, os impasses chegaram a ser discutidos em reunião que teve participações de Nadella e Pichai, mas uma falta de resolução levou à não renovação do acordo de trégua.

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“Levantamos as preocupações com eles [Google], e eles simplesmente não deram ouvidos”, afirmou o presidente da Microsoft, Brad Smith, no início deste ano. O executivo afirmou ainda que a relutância do Google em trabalhar com o Bing tem custado centenas de milhões em dólares anualmente, por conta da receita de anúncios.

E agora?

Com o fim do cessar-fogo, Microsoft e Google agora estão novamente livres para levarem suas denúncias e acusações aos reguladores. Aliás, o fim do pacto acontece em um momento em que reguladores antitruste de todo o mundo têm apertado o cerco contra big techs.

Ilustração digital de martelo de tribunal
Disputas judiciais entre as big techs devem crescer daqui pra frente. Foto: Illus_man/Shutterstock

Diferentemente do Google, a Microsoft não tem sido alvo constante de investigações. Tanto que não foi enquadrada como um dos focos das leis antitruste votadas na Câmara dos EUA, que devem afetar diretamente big techs como Facebook, Apple, Google e Amazon.

Ainda não se sabe como o término deste acordo afetará os negócios das empresas. A Microsoft, por exemplo, lançou o pacote de aplicativos do Office para dispositivos Android e abandonou o finado Internet Explorer para anunciar o Edge — que roda no mecanismo de renderização Chromium do Google. 

É pouco provável que a big tech de Satya Nadella retire as ferramentas do Google Play ou que o Edge abandone o Chromium. No entanto, mudanças sutis de integração entre os produtos de ambas as empresas deverão ser vistas daqui pra frente. E, claro, as acusações judiciais também deverão aumentar.

Fonte: Ars Technica

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