Um grupo de pesquisadores demonstrou um método para criar uma espécie de “chave mestra” para conseguirem burlar tecnologias de reconhecimento facial. O sistema consiste na criação de faces geradas por computador que têm a capacidade de representar diferentes identidades com uma alta probabilidade de sucesso, de acordo com os líderes do projeto. 

Segundo os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da “chave mestra” para o reconhecimento facial, o processo envolveu a criação de nove faces, que são capazes de representar quase metade dos rostos dos conjuntos de dados de três sistemas bastante utilizados de reconhecimento facial: Dlib, FaceNet e SphereFace. 

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De acordo com a equipe de pesquisa, os resultados demonstram que esses rostos podem representar com sucesso mais de  40% da população nesses sistemas, sem a necessidade de confirmação de dados adicionais ou qualquer informação adicional de dados da pessoa que está sendo identificada. 

Homens mais velhos

Os nove rostos criados por computador
Pesquisadores descobriram que os rostos de homens brancos mais velhos tendem a ser menos diversos. Crédito: Ron Shmelkin/Blavatnik School of Computer Science

No artigo, os pesquisadores citam pesquisas anteriores em que um método parecido gerou impressões digitais mestras. Segundo a equipe de pesquisa, suas descobertas indicam que os sistemas de reconhecimento facial são bastante vulneráveis. Os rostos”chave mestra”, em sua maioria, eram de homens, mais velhos, sem barba ou bigode.

Para gerar as faces, os pesquisadores usaram um StyleGAN e, em seguida, um algoritmo evolutivo e uma rede neural para otimizar e prever seu sucesso. Então, os pesquisadores usam o algoritmo para treinar uma rede neural, que tem a função de classificar os melhores candidatos como os mais promissores.

Melhorar os sistemas

De acordo com o líder da pesquisa, Ron Shmelkin, o objetivo da pesquisa é usar as faces chave mestra para ajudar a proteger os sistemas de reconhecimento facial existentes de ataques semelhantes.

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Segundo ele, esses rostos podem ser tornados ainda mais realistas por meio da tecnologia deepfake, que é capaz de contornar a detecção de vivacidade, que é usada para determinar se uma amostra biométrica é verdadeira ou falsa.

O sucesso das pesquisas com rostos que funcionam como chaves mestras mostra como os sistemas de reconhecimento facial podem ser falhos e tendenciosos. Esse tipo de software é bastante criticado, principalmente por defensores dos direitos humanos, que acusam os algoritmos de serem racistas e pouco precisos no reconhecimento de pessoas negras, tendo gerado prisões injustas.

Com informações do Vice

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