Um dos aviões militares leves mais populares do mundo é o modelo Super Tucano, fabricado pela brasileira Embraer. Financiada pelos Estados Unidos, a Força Aérea do Afeganistão construiu uma frota com esse modelo de aeronave, mas agora, com o avanço do Talibã, que já tomou conta do país, pelo menos um Super Tucano já caiu nas mãos do grupo extremista e um outro foi abatido.

Os militares afegão tinham uma esquadra de 26 Super Tucanos e já se sabe que 14 deles foram levados para o vizinho Uzbequistão, um deles foi abatido por defesas antiaéreas uzbeques, e o outro caiu nas mãos do Talibã, o restante, no entanto, tem um destino ainda desconhecido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, segundo dados obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo.

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Entre o sábado (14) e o domingo, 22 aviões e 24 helicópteros militares foram “resgatados” do Afeganistão antes de serem capturados pelo Talibã. Todos eles foram para o Uzbequistão, em uma missão que, provavelmente, não teve a anuência dos superiores hierárquicos. Os tripulantes da aeronave abatida, ao que se sabe, sobreviveram e estão internados na cidade Uzbeque de Termez.

Para que serve um Super Tucano?

Aviões Super Tucanos da Embraer
O Super Tucano é um avião leve, ideal para missões contra alvos pequenos e móveis. Crédito: Matt Morgan/Wikimedia Commons

Os Super Tucanos são aviões militares extremamente leves, que têm as funções de ataque e treinamento avançado. Sua propulsão é feita por meio de uma turbo-hélice na frente da aeronave e parte dos componentes para a construção das aeronaves são fabricados no Brasil, porém, a montagem dos aviões é feita nos Estados Unidos.

Por ser avião pequeno e com aceleração mais rápida do que os aviões a jato, por exemplo, os turbo-hélices são mais adequados para operações em ambientes hostis e contra alvos pequenos que se movem rapidamente. Além disso, ele é mais adequado para operações em pistas curtas ou aeroportos com pouca estrutura, também por sua rápida aceleração.

Os aviões chegaram até o Afeganistão por meio de uma parceria entre a Embraer e uma empresa local, a Sierra Nevada. A entrega foi feita em dois lotes, o primeiro, com 20 unidades, foi entregue em 2011 e começou a operar em 2016. O segundo foi entregue no ano seguinte, com mais seis unidades. O valor total da negociação foi de US$ 578 milhões (R$ 3,04 bilhões, na cotação atual).

Uma esquadra Talibã?

Embora alguns Super Tucanos tenham seu paradeiro desconhecido, isso não significa que agora eles são parte de uma esquadra Talibã e existem alguns fatores que contribuem para que se pense que isso não é possível. Um desses fatores é a falta de pessoal qualificado para pilotar as aeronaves brasileiras, esse pessoal foi formado por militares estadunidenses em número bastante reduzido.

Mesmo antes da saída das tropas estadunidenses do território afegão, esses pilotos se tornaram alvos dos rebeldes do Talibã. Estima-se que os EUA tenham formado em torno de 30 pilotos capacitados para pilotar Super Tucanos, mas pelo menos sete deles foram mortos ou tiveram suas famílias assassinadas em atentados, o que gerou algumas deserções.

Também existe a possibilidade de a Força Aérea afegã ter desabilitado sistemas de armas dos aviões que são controlados por software. Além disso, é possível que eles até tenham acesso aos aviões e às armas, mas não tenham munição para dispará-las. Isso porque a Força Aérea afegã já vinha reclamando de falta de munição para ataques aos talibãs.

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Mas da mesma forma que existem fatores para se pensar que os Talibãs não tiveram como tomar os Super Tucanos, também dá para se pensar que os talibãs tiveram acesso às aeronaves e terão como tirá-las do chão em algum momento. Isso porque os militares estadunidenses pretendiam cercar Cabul e definir os protocolos de proteção de material bélico em setembro, não deu tempo.

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