Um grupo de cientistas de diferentes países da África está trabalhando para conseguir liberação para testes de campo com mosquitos geneticamente modificados, a fim de fortalecer a luta contra a malária no continente. Os insetos em questão são estéreis e produzem descendentes que não têm a capacidade nem de se reproduzir e nem de transmitir a malária para humanos.

No momento, os cientistas do Target Malaria, um consórcio sem fins lucrativos formado por pesquisadores de Burkina Faso, Gana, Mali e Uganda estão buscando apenas a autorização dos governos para colocar os mosquitos geneticamente modificados em campo. Etapas anteriores, como avaliações de risco e processos regulatórios já estão prontos.

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Impulso genético

Os pesquisadores do Target Malaria estão usando uma abordagem diferente da edição de genes tradicional, trata-se do impulso genético. Na natureza, esse é o elemento que atua no processo de reprodução e determina quais aspectos genéticos têm maiores chances de serem herdados pelos descendentes de uma determinada espécie.

Imagem ilustrativa de edição de genes
Pesquisa da Target Malaria pretende mexer apenas nos impulsos genéticos dos mosquitos. Crédito: Vchal/Shutterstock

Para criar os mosquitos geneticamente modificados, os pesquisadores estão usando ferramentas de edição de genes para modificar alguns dos impulsos genéticos dos mosquitos para garantir que determinadas características sejam passadas de geração em geração. Os cientistas já conseguiram demonstrar que essa abordagem funciona em laboratório, mas ainda falta o teste de campo.

Ao contrário da edição genética tradicional, os impulsos genéticos permitem que as características desejadas, neste caso, a esterilidade, sejam disseminadas mais rapidamente. Isso deve permitir que os mosquitos geneticamente modificados possam dominar populações selvagens de mosquitos transmissores de doenças em poucas gerações, mesmo em locais mais remotos.

Mexendo na biodiversidade

Porém, nem tudo são flores nos planos da Target Malaria, uma grande preocupação são as mudanças na biodiversidade local. Das mais de 3.500 espécies de mosquitos catalogadas, somente entre 50 e 70 são capazes de transmitir a malária para humanos, mas, em geral, apenas duas ou três dominam as transmissões dentro de um país.

Nas abordagens tradicionais de modificação de genes, todas as espécies são afetadas, mas, segundo a Target Malaria, ao alterar apenas o impulso genético, é possível escolher apenas as espécies que podem transmitir a malária para humanos. Com isso, o controle da doença pode ser mais eficaz, sem afetar espécies de mosquitos que não são vetores de doenças.

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A pesquisa também demonstrou que a maior parte dos predadores das espécies de mosquitos transmissores da malária também se alimentam de outras espécies de insetos. Sendo assim, é bastante improvável que a extinção de espécies de mosquitos que são perigosas aos seres humanos possa colocar seus predadores naturais em risco.

Via: Medical Xpress

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