Embora bastante celebrada, a carreira de Destin Daniel Cretton ainda era bem curta quando ele aceitou dirigir ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’ para a Marvel Studios. O cineasta havaiano só tinha no currículo dois longas com nomes famosos de Hollywood: ‘O Castelo de Vidro’ (2017) e ‘Luta por Justiça’ (2019) – não por acaso, protagonizado por dois colegas de MCU, Brie Larson (‘Capitã Marvel’) e Michael B. Jordan (‘Pantera Negra’). E, de acordo com o cineasta, não tinha interesse em super-heróis e blockbusters com orçamentos gigantes até ouvir o anúncio do personagem asiático em particular.

Em entrevista enviada exclusivamente para o Olhar Digital, Cretton lembra que assim que se reuniu com o produtor Jonathan Schwartz percebeu que sua visão e a do estúdio para Shang-Chi estavam muito alinhadas. “Eu queria criar um personagem que meu ‘eu’ da minha infância pudesse se orgulhar. Um super-herói meus dois filhos pudessem admirar e um mundo que eu, enquanto asiático-americano, e o roteirista Dave Callaham, que é chinês-americano, pudéssemos nos relacionar”, conta o cineasta.

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E mostrando que diversidade também pode se converter em sucesso de bilheteria, ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’ aproveitou o feriadão nos Estados Unidos (o Dia do Trabalho deles é nesta segunda, 6) faturou mais de US$ 71,4 milhões em vendas de ingressos na América do Norte, e outros US$ 56,2 milhões globalmente – com vários países ainda sofrendo com as medidas adotadas pela pandemia de Covid-19.  O longa teve uma das melhores estreias do período da pandemia, e ficou atrás na Disney só de ‘Viúva Negra’, que superou os US$ 80 milhões nos EUA.

Trabalhar sob tanta pressão para que o filme dê certo e vá bem nos cinemas pode parecer assustador, mas de acordo com Cretton, o ambiente no Marvel Studios tem muito mais do que só cobranças e estresse. “A forma como o estúdio funciona não está realmente enraizada no medo, ela está enraizada na exploração e assumir riscos é algo encorajado. Realmente não existe uma hierarquia onde uma pessoa tem todas as ideias e todos os outros precisam calar a boca e seguir. Este é um ambiente onde a melhor ideia sobe para o topo, mesmo que essa ideia venha de um estagiário. Esse é para mim o tipo de ambiente mais saudável para ser criativo”, conta o diretor.

O diretor Destin Daniel Cretton, o instrutor de lutas Alan Tang e o ator Simu Liu no set de 'Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis'. Imagem: Jasin Boland/Marvel Studios
O diretor Destin Daniel Cretton, o instrutor de lutas Alan Tang e o ator Simu Liu no set de ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’. Imagem: Jasin Boland/Marvel Studios

Nascido em Haiku, na ilha de Maui, e filho de uma cabeleireira nipo-americana, Cretton só se mudou para o continente norte-americano aos 19 anos. O diretor conta que depois de trabalhar em produções com alguns astros de Hollywood, poder dirigir estrelas do cinema asiático como Tony Leung e Michelle Yeoh foi uma experiência intimidadora – até conhecê-los pessoalmente.

 “Eu os colocava em um pedestal muito alto e o que eu achei, que foi surpreendente, foi que eles realmente ultrapassaram esse pedestal – não só em termos de ética de trabalho e seus talentos e suas capacidades de mergulhar em uma performance de uma forma que nos surpreendeu no set. Mas também ultrapassaram esse status de lenda na minha cabeça porque eles eram ‘pé-no-chão’ e muito gentis com todos ao seu redor, além de cheios de alegria e entusiasmo pelo trabalho. Eles foram uma grande razão para todos nos divertimos muito no set, pois essas pessoas que admirávamos desde que éramos jovens estavam nos dizendo que não há problema em se divertir. Foi realmente uma grande alegria poder explorar essa história ao lado deles”, lembra Cretton.

Será que essa alegria do set se transmitiu para as telas? O cineasta espera que sim, e que o público consiga usar ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’ para se transportar para esse novo mundo fantástico da Marvel. “Eu espero que haja um nível de escapismo saudável nisso. Sair de nossas vidas e se sentar em um cinema por duas horas para experimentar algo diferente. Ver os temas subjacentes e a jornada emocional desses personagens, e encontrar algo com que você possa se relacionar e que possam levar consigo quando sair do filme. Um pequeno impulso de otimismo”.

Em ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’, Shang-Chi (Simu Liu) é um jovem chinês criado por seu pai em reclusão, sendo treinado em artes marciais. Quando ele tem a chance de entrar em contato com o resto do mundo, logo percebe que seu pai não é o humanitário que dizia ser, vendo-se obrigado a se rebelar. Esse confronto com o passado e o envolvimento do protagonista com a organização Dez Anéis faz com que Cretton descreva o filme com uma palavra: família.

“Essa palavra também evoca muitas emoções. Porque todos nós pensamos imediatamente nas pessoas com as quais estamos mais conectados, e acho que junto com a família vem alguns dos momentos mais alegres de nossas vidas, mas também vem muita dor e muita luta. Este é o filme em sua essência: trata-se de uma família que está aprendendo a lidar com a dor de seu passado”, conta o diretor.

‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis’ já está disponível nas salas de cinema de todo o Brasil. Se quiser saber nossa opinião, confira a crítica do filme aqui.

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