Um estudo realizado pela FTC ao longo de uma década avaliou transações entre pequenas e grandes empresas de tecnologia (Big Techs). Após os resultados, a presidente da Federal Trade Commission, Lina Khan, sugeriu na última semana que pretende adotar mudanças na maneira como o órgão examina esse tipo de negócio.

De início, vale ressaltar que o ecossistema econômico do setor de tecnologia é constituído basicamente de companhias gigantes que, em algum momento, compram pequenas startups. Algo que, inclusive, é notícia frequente aqui no Olhar Digital.

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Contudo, o possível sinal de alerta da agência antitruste pode jogar um “balde de água fria” em novas fusões e aquisições.

Descobertas da FTC

Em comunicado, Khan disse que o relatório reforça que algumas brechas podem estar “permitindo injustificadamente” que alguns negócios passem despercebidos pela FTC.

A pesquisa da agência analisou 616 transações (avaliadas em pelo menos US$ 1 milhão) entre 2010 e 2019. Transações estas que não foram relatadas às autoridades antitruste por nomes como: Amazon, Apple, Facebook, Google e Microsoft.

A grande maioria (94%) excederam alguns limites impostos pelo órgão. Alguns até conseguiram se qualificar para isenções regulamentares.

Enquanto isso, 79% usaram compensação diferida (um contrato em que parte da remuneração é retida para pagamento futuro) para fechar negócios e quase 77% recorreram ao uso de cláusulas de não concorrência.

Por fim, 36% das transações envolveram assumir alguma quantia em dívidas.

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O diretor de pesquisa do American Economic Liberties Project, Matt Stoller, indica que a quantidade de cláusulas de não concorrência nos negócios avaliados também preocupa. Stoller diz que se trata de “uma clara intenção anticompetitiva” das grandes empresas em “apenas pegar talentos” e impedi-los competir com as Big Techs.

Por outro lado, o relatório não indica de forma explícita que regras foram quebradas ou que os negócios foram de fato anticompetitivos, aponta Neil Chilson, ex-assessor da FTC. Chilson finaliza dizendo que a presidente “suspeita de fusões, não importa o tamanho”.

Por ora, resta saber quais serão os próximos passos do órgão antitruste americano sobre a questão.

Créditos da imagem principal: DCStockPhotography/Shutterstock

Via: Axios

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