A Nasa está perto de lançar a missão “Lucy”, que levará a sonda espacial homônima aos asteroides “troianos“ de Júpiter. A viagem quebrará o recorde de distância percorrida no espaço – anteriormente pertencente à sonda Juno (também da Nasa), que está posicionada na órbita de Júpiter.

A sonda Lucy tem como missão visitar oito asteroides do cinturão, estudando suas composições e movimentos orbitais. Essas rochas espaciais são chamadas de “troianas” na comunidade científica (por isso a maioria delas ser classificada com nomes referentes à mitologia grega) e elas cruzam o Sol em dois grupos: o primeiro vem antes de Júpiter, anunciando a aproximação do planeta gigante gasoso; e o segundo vem depois dele.

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A sonda Lucy, que vai quebrar o recorde de distância viajada no espaço após ser lançada em 16 de outubro de 2021
A sonda Lucy, montada no foguete Atlas V da Lockheed Martin: sonda será lançada em direção a Júpiter em 16 de outubro de 2021 (Imagem: Nasa/Divulgação)

O lançamento da Lucy está programado para o dia 16 de outubro, com a ignição do foguete Atlas V criado pela Lockheed Martin e operado pela empresa em conjunto com a Boeing. A base é localizada no Campo Canaveral, na Flórida.

“Estamos visitando mais asteroides que qualquer outro transporte espacial na história”, disse Hal Levison, investigador chefe da missão Lucy na Terra, durante uma coletiva de imprensa feita na última terça (28). “Nós também vamos quebrar outro recorde: iremos o mais longe do Sol que qualquer outra embarcação movida a energia solar na história”.

Até hoje, cientistas de várias agências espaciais já catalogaram a existência de mais de sete mil asteroides troianos, mas a população total é tão grande que pode até mesmo igualar aquela vista no cinturão principal de asteroides entre Marte e Júpiter. E sua missão pode trazer inúmeras revelações sobre o espaço.

“Modelos de formação e evolução planetários sugerem que os asteroides troianos são, provavelmente, remanescentes do mesmo material primordial que formou os nossos planetas mais distantes, e por isso servem como uma ‘cápsula do tempo’ do nascimento do sistema solar há mais de 4 bilhões de anos”, disse a Nasa em um documento descritivo da missão. “Esses corpos primitivos trazem pistas essenciais para decifrarmos a história do sistema solar e podem até mesmo nos contar sobre a origem de materiais orgânicos – e até mesmo da própria vida – na Terra”.

Durante a missão, a sonda Lucy não vai pousar – nem mesmo orbitar – nenhum dos asteroides visitados. Programada para fazer passagens por eles, a viagem será bem longa e cheia de atribulações: primeiro, a sonda dará duas voltas na Terra, usando a nossa órbita para pegar impulso, disparando em direção a Júpiter, onde deve chegar até abril de 2025. A partir daí, a primeira passagem por asteroide deve acontecer, quando a sonda encontrar o cinturão conhecido como “(52246) Donaldjohanson”.

Depois disso, a Lucy vai seguir a trilha do grupo que antecede a passagem de Júpiter, passando por quatro diferentes asteroides entre 2027 e 2028. Em seguida, lá para meados de 2033, ela vai para o grupo que “segue” Júpiter, visitando mais três asteroides.

“Nós vamos mirar quase que diretamente neles, voando a uma distância de 1000 km de suas superfícies, e a Lucy não vai desacelerar durante essas passagens, seguindo uma velocidade constante de 5 a 8 km/h em relação aos asteroides”, disse Keith Noll, cientista do projeto Lucy na Nasa.

A coleta de dados será feita, segundo ele, “em poucas horas”, sendo enviada para a Nasa em seguida. O projeto todo custou US$ 981,1 milhões (algo perto de R$ 5,33 bilhões).

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