Neste 1º de outubro, a Nasa comemora 63 anos de funcionamento. A agência espacial americana surgiu em 1958, durante a Guerra Fria, em meio à bipolarização mundial entre os EUA e a então União Soviética, que travavam um conflito militar, ideológico e político.

Após o país rival promover os lançamentos do Sputnik 1, primeiro satélite artificial, e do Sputnik 2, em que a cadela Laika foi enviada como o primeiro ser vivo a ir ao espaço, a resposta americana foi a criação da Nasa, com o desenvolvimento de missões e programas espaciais ambiciosos.

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Ainda hoje, Nasa e Roscosmos, a agência espacial da agora Rússia, mantêm uma disputa de mercado na área espacial, embora não estejam mais sozinhas, já que existem outras agências espaciais ganhando cada vez mais força. 

“Vale destacar a agência espacial europeia (ESA), além das agências da Índia, de Israel e, principalmente, a chinesa, que vem crescendo muito nos últimos anos. É a China quem vem, de certa forma, dividindo o protagonismo da corrida espacial com a Nasa e a Roscosmos”, explicou o astrofotógrafo, astrônomo, diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON, na sigla em inglês) e colaborador do Olhar Digital, Marcelo Zurita. 

Zurita salienta que, além dos órgãos estatais, empresas privadas como a SpaceX, a Blue Origin e a Virgin Galactic tornaram a exploração do universo ainda mais concorrida. 

Programas e missões espaciais da Nasa

Entre os muitos programas e missões espaciais da aniversariante do dia, merece destaque o Apollo, terceiro projeto desenvolvido pela agência, que tinha o objetivo de explorar a Lua. Entre missões tripuladas e não tripuladas do programa, em 1969, o astronauta Neil Armstrong, comandante da nave Apollo 11, foi o primeiro homem a pisar na superfície lunar.

Foto tirada durante a missão Apollo 11
Foto tirada durante a missão Apollo 11. Imagem: Nasa/Divulgação

E é importante lembrar que a Nasa pretende voltar a levar astronautas à Lua, por meio do programa Artemis, que promete fazer a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pôr os pés no nosso satélite natural.

Também não podemos deixar de citar a Estação Espacial Internacional (ISS), laboratório orbital permanente que serve de base colaborativa para estudos científicos de diversos países. Sua construção e montagem, ainda que tenham sido realizadas por diferentes nações, foram coordenadas pela Nasa, agência de participação mais ativa em sua manutenção e monitoramento.

Outro projeto importante da agência americana é o telescópio Hubble, que está no espaço desde 1990, funcionando como uma ferramenta fundamental para captação de imagens para estudos do universo.

O programa “Mars Exploration Rovers”, de exploração do planeta Marte, também faz parte dessa longa história da Nasa, com o lançamento e a administração de robôs e helicópteros responsáveis por pesquisar o Planeta Vermelho.

Um dos grandes feitos da história da Nasa é o telescópio espacial Hubble, há 31 anos trabalhando no espaço. Imagem: Whitelion61 – Shutterstock

Programas de Ciência Cidadã

A Nasa também mantém uma série de projetos de ciência cidadã, que são colaborações entre cientistas e público interessado. Por meio dessas colaborações, voluntários (conhecidos como cientistas cidadãos) já ajudaram a fazer milhares de descobertas científicas importantes. Atualmente, a Nasa mantém 25 projetos de ciência cidadã, que podem ser feitos por qualquer pessoa, em qualquer lugar, com apenas um celular ou laptop.

Entre eles, estão o Fireballs in The Sky, um programa de monitoramento de meteoros semelhante ao mantido pela BRAMON aqui no Brasil, o Planet Hunters TESS, que convida os cidadãos a buscarem por planetas desconhecidos nas imagens da sonda TESS, e o IASC, onde grupos de estudantes buscam por asteroides nas imagens de grandes telescópios mantidos pela agência. Foi por meio deste que a astrônoma mirim Nicole Oliveira, a Nicolinha, já detectou mais de 20 asteroides e pode se tornar a pessoa mais jovem do mundo a descobrir asteroides.

Muito além do espaço sideral

Engana-se quem pensa que a Nasa só vive com “a cabeça no mundo da Lua” (ou de Marte, ou de qualquer outro ponto do cosmos).

A agência espacial também destina parte de suas ações para a educação, ao investir em programas e atividades que inspiram estudantes, educadores, famílias e comunidades na descoberta da exploração espacial. 

Oferecer treinamento para professores aprenderem novas maneiras de ensinar ciência, tecnologia, engenharia e matemática também está entre as missões da Nasa. 

Vale lembrar também que muitas tecnologias de produtos que usamos em nosso cotidiano só existem graças à Nasa. É o caso, por exemplo, da espuma viscoelástica do famoso “travesseiro da Nasa” (que, na verdade, não foi feito pela agência). 

O que acontece é que a espuma foi criada pelos cientistas Chiharu Kubokawa e Charles Yost, em contrato com a Nasa pelo Ames Research Center. Esse material compõe alguns assentos e colchões ortopédicos disponíveis no mercado.

Amortecedores de certos tênis de corrida foram desenvolvidos com base em um processo de moldagem por sopro de borracha usado pela agência espacial americana para fabricar capacetes de astronautas, por exemplo.

Outra tecnologia desenvolvida pela Nasa que foi adaptada para uso doméstico pode ser encontrada em termômetros auriculares. A mesma tecnologia infravermelha que permite a medição da temperatura de estrelas e planetas é usada para aferir com rapidez e precisão a temperatura do corpo, usando como base a quantidade de energia infravermelha emitida pelo tímpano. 

Podem colocar na conta da Nasa, ainda que indiretamente, os cobertores térmicos, alguns aparelhos de exercícios físicos, vidros de óculos à prova de arranhões e até pastas de dentes.

É por essas e por muitas outras (ainda) desconhecidas utilidades que desejamos vida longa e próspera à nossa aniversariante!

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