Muito se fala sobre a ligação entre doenças cardíacas ou fatores de risco para essas doenças e o aumento da probabilidade de ataques do coração e derrames. Mas, você sabia que pegar uma gripe pode aumentar substancialmente o risco de um evento cardíaco sério ou até fatal? E que tomar a vacina contra a gripe pode reduzir muito esse risco, mesmo que você acabe contraindo o vírus sazonal?

Pessoas com menos de 65 anos representam a menor taxa de vacinação contra a gripe em adultos e correm o maior risco de problemas cardíacos. Imagem: Pixel-Shot – Shutterstock

Como as taxas anuais de vacinação contra influenza estão cada vez mais baixas, principalmente entre adultos com menos de 65 anos, é bem provável que poucos saibam dessa conexão. 

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Nos EUA, por exemplo, de acordo com uma pesquisa da Universidade Metodista de Houston, que foi publicada esta semana no Journal of the American Heart Association, os americanos com doenças cardíacas continuam a ter baixas taxas de vacinação a cada ano, apesar das taxas mais elevadas de mortalidade e complicações da gripe.

A taxa de vacinação contra a gripe para adultos americanos com menos de 65 anos de idade e doenças cardíacas é inferior a 50%, em comparação com 80% em adultos mais velhos nas mesmas condições.

“Parece que os americanos mais jovens com condições de alto risco não receberam o mesmo memorando que seus colegas mais velhos receberam sobre a importância de se vacinar contra a gripe”, disse Priyanka Bhugra, especialista em medicina interna da Universidade e principal autor do estudo, em tom irônico. “Isso é perigoso, considerando que as pessoas com problemas de coração são particularmente vulneráveis ​​a complicações cardíacas relacionadas à influenza, independentemente de terem atingido a idade de aposentadoria ou não”.

Sabe-se que a gripe pode causar sintomas respiratórios importantes, como pneumonia, bronquite e infecção bacteriana nos pulmões. No entanto, os efeitos do vírus no coração têm sido historicamente mais difíceis de analisar, em parte porque muitos pacientes já têm uma predisposição conhecida a eventos cardíacos e em parte porque o evento cardíaco geralmente ocorre semanas após o início da gripe.

Veja o que estudos apontam sobre a relação entre a gripe e problemas cardíacos

De acordo com essa pesquisa, mortes cardiovasculares e epidemias de gripe aumentam na mesma época. Além disso, as pessoas têm seis vezes mais probabilidade de sofrer um ataque cardíaco na semana após a infecção por influenza do que em qualquer momento durante o ano anterior ou posterior da infecção.

Um estudo anterior, que analisou 336 mil internações hospitalares por gripe, descobriu que 11,5% dos pacientes sofreram um evento cardíaco grave. Outro levantamento, que analisou 90 mil infecções por influenza confirmadas em laboratório, mostrou uma taxa muito semelhante, de 11,7%, experimentando um evento cardiovascular agudo.

Um em cada oito pacientes, ou 12,5%, internados com gripe experimentou um evento cardiovascular, sendo que 31% necessitaram de cuidados intensivos e 7% morreram como resultado do evento, descobriu outro estudo.

A razão pela qual a gripe estressa tanto o coração e o sistema vascular tem a ver com a resposta inflamatória do corpo à infecção.

Segundo o site Medical Xpress, a inflamação ocorre quando os “primeiros reagentes” do seu corpo – glóbulos brancos e o que eles produzem para protegê-lo – se reúnem em uma área e começam a trabalhar no combate a uma infecção, bactéria ou vírus. 

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Quando a pessoa está doente, normalmente pode sentir os efeitos dessas “zonas de combate” no inchaço, sensibilidade, dor, fraqueza e, às vezes, vermelhidão e aumento da temperatura das articulações, músculos e nódulos linfáticos.

Isso também pode causar uma espécie de congestionamento, levando a coágulos sanguíneos, pressão arterial elevada e até inchaço ou cicatrizes no coração. Os estressores adicionados tornam a placa dentro de suas artérias mais vulneráveis ​​à ruptura, causando um bloqueio que interrompe o oxigênio para o coração ou cérebro e resulta em ataques cardíacos ou derrames, respectivamente.

Além disso, complicações não cardíacas da doença viral, incluindo pneumonia e insuficiência respiratória, podem piorar muito os sintomas de insuficiência ou arritmia cardíaca.

Em resumo, o estresse adicional no sistema cardiovascular pode ser opressor para um músculo cardíaco já enfraquecido.

Vacinas contra a gripe têm eficácia média de 40%

Como os vírus da gripe estão em constante mutação, os cientistas alteram a vacina a cada ano para corresponder às prováveis ​​cadeias prevalentes. 

Em média, o imunizante é eficaz na prevenção de infecções em 40% das vezes. Embora isso possa não parecer ideal – especialmente em comparação com as vacinas de mRNA para Covid-19 altamente eficazes – é o suficiente para reduzir significativamente o risco de doenças graves na maioria das pessoas.

Ultimamente, estudos têm conseguido mostrar que não só a vacina é eficaz em proteger a população em geral e os grupos de idade mais vulneráveis ​​(acima de 65 e menos de 2 anos) de casos graves de gripe, mas também protege contra a mortalidade cardiovascular, especialmente entre a população de alto risco.

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