‘Ghostbusters – Mais Além’ é uma aula à indústria do cinema que atualmente encontra na nostalgia exacerbada um filão. Em 121 minutos, o diretor Jason Reitman (‘Juno’) e a Sony Pictures entregam uma trama totalmente original (cheio de referências e easter eggs, claro, mas mesmo assim) totalmente desancorada do status de “continuação”, “reboot” ou “remake” e que, de fato, ainda é uma história dentro do universo de ‘Caça-Fantasmas‘ que conhecemos e amamos.

O roteiro escrito tanto por Reitman quanto por Gil Kenan (‘A Casa Monstro’) deixa claro desde o início que a produção é feita especificamente para os entusiastas do filme original de 1984. Por mais que a narrativa seja despretensiosa o suficiente a ponto de não ter apego em ser um “terceiro capítulo” da franquia, fãs serão com certeza os que mais irão se divertir ao assistir, seja rindo ou ficando emocionado. É realmente uma carta de amor bem escrita ao longa e aos fãs.

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Verdade seja dita: é complicado escrever e criticar ‘Ghostbusters – Mais Além’ sem dar qualquer tipo de spoiler. Os trailers divulgados esconderam parte da trama e o maior segredo dita o tom dos irmãos protagonistas Phoebe (Mckenna Grace) e Trevor (Finn Wolfhward) de forma muita satisfatória. Logo, os mais aficionados precisam estar dispostos a passar um bom tempo do longa a ficarem perplexos com gratas certas surpresas bem-amarradas à obra original, além de buscarem muitas, mas muitas referências.

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Três dos novos ‘Caça-Fantasmas’: Mckenna Grace, Finn Wolfhard e Logan Kim. Imagem: Sony Pictures / Kimberley French © 2021 CTMG, Inc. All Rights Reserved

Porém, volto a dizer: sim, há o retorno, sim, do Ecto-1, das mochilas de prótons, dos uniformes clássicos da equipe, dos hilários fantasmas trash, mas tudo na medida certa – sem exagero ou qualquer apego do roteiro a se basear somente na nostalgia. A começa da trama: a mãe solteira Calle (Carrie Coon), quebrada financeiramente, resolve se mudar para uma pequena cidade do interior com seus filhos, visto que herdou a casa do falecido pai.

Ao chegar na nova residência, ainda sem saber ao certo o que vai acontecer, ela e os filhos protagonistas acabam descobrindo uma conexão com os eventos originais e o que a figura paterna que veio a falecer, deixou para trás como legado para a família um mistério a resolver. Com a descoberta de objetos e à medida que acontecimentos paranormais começam acontecer, só há um jeito de resolver: tornando-se os Caça-Fantasmas, ao invés de chamá-los.

“Reitman Junior”, filho de Ivan Reitman (cineasta que dirigiu ‘Os Caças-Fantamas’ 1 e 2), é inteligente o suficiente para aplicar os mais diversos tipos de easter eggs no enredo de forma que não deixe o público cansado ou achando que é exagerado tal qual ‘Space Jam 2‘, mas sim de uma forma que deixa um “gostinho de quero mais”.

Seja a primeiro aparição do famoso símbolo da equipe descoberta por Trevor ou mesmo os elementos que mostram que “Gozer” não foi destruída totalmente, tudo é mostrado de forma rápida e prática para o desenrolar da nova trama e evita ao máximo ser um ‘Caça-Fantasmas 3’ – talvez em duas cenas, mas só.

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Cena de ‘Ghostbusters: Mais Além’ onde as coisas começam a dar errado… Imagem: Sony Pictures / Kimberley French © 2021 CTMG, Inc. All Rights Reserved

Ao mesmo tempo que foca na originalidade, o argumento não abre mão dos elementos deram certos nos dois filmes originais: a construção de uma equipe, o mistério, as criaturas sobrenaturais ao melhor estilo trash e, claro, as pitadas de comédia sádicas e hilárias que fizeram o grupo formado por Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Rick Moranis caírem nas graças do público.

Uma escolha difícil, talvez, mas que impressionantemente deu certo em ‘Ghostbusters: Mais Além’. Reitman optou concisamente por caminhar “na corda bamba” e equilibrar nostalgia e originalidade sem pender demais para um dos lados apenas – olha que isso é considerado praticamente impossível na indústria. Contudo, o mais gratificante no filme todo é observar que o diretor conseguiu criar uma experiência para todos: fãs ou não.

As sequências repletas de ação do segundo ato em diante e as de mistério que envolvem um mistério à lá ‘Stranger Things’ e ‘IT’ são de tirar o fôlego e é algo que deve entreter tanto os amantes do cinema casuais (de todas as idades) quanto os fanáticos por Caça-Fantasmas.

Outro fator que vale a pena ressaltar é ver como produções de terror ou suspense protagonizados por adolescentes (feitor por um elenco teen de fato e não igual à ‘Riverdale’) têm aparecido na indústria aos montes. ‘Ghostbusters: Mais Além’, obviamente, aproveita a ascendência desse cenário para entregar o protagonismo não a um carismático elenco homens com meia-idade, mas sim a jovens atores excelentemente simpáticos e que atuam de forma a conquistar o público de forma tão eficaz quanto o longa original de 1984.

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Finn Wolfgard, Mckenna Grace, Logan Kim e Celeste O’Connor: os “Caça-Fantasmas de 2021”. Imagem: Sony Pictures / Kimberley French © 2021 CTMG, Inc. All Rights Reserved

O destaque de atuação fica, com certeza, para Mckenna Grace. Praticamente um “Dr. Egon Spengler” da nova geração, a atriz de 15 anos está excelente e chega em ‘Ghostbuster: Mais Além’ em alta no setor, visto que já havia sido aclamada por maravilhosa atuação em ‘The Handmaid’s Tale’. Claro, a personagem dela algumas vezes ultrapassa a linha do palpável e chega a ser inteligente o suficiente para resolver certos enigmas em segundo, mas fora isso, é a protagonista que traz características mais palpáveis para que o público se identifique.

Nerd, tímida e buscando ao máximo por fazer amigos, Phoebe supostamente teria que dividir o protagonismo com o Trevor de Finn Wolfhard, mas acaba por roubar a cena da estrela de ‘Stranger Things’ sempre quando dividem cena. Não é que o eterno Mike Wheeler performe aquém do esperado, porém o papel dele não é tão bem desenvolvido ao ponto de chamar muito a atenção. Mesmo assim, é legal vê-lo contracenando com a irmão mais velha e mostrando em tela os tipos de dinâmica mais clichês entre “primogênito e caçula” que o cinema pode proporcionar.

Wolfhard (e, neste caso, felizmente) também é constantemente ofuscado pelo brilhante Logan Kim. O ator de apenas 13 anos faz estreia nas telonas como o hilário “Podcast”, único amigo de Phoebe na pequena e pacata cidade de Summerville. Responsável por praticamente “carregar nas costas” boa parte do alívio cômico da produção, o personagem acaba se juntando aos protagonistas na resolução do mistério e se mostra a surpresa mais grata do filme todo.

Mckenna Grace e Logan Kim roubam a cena sempre que podem e são os maiores destaques de ‘Ghostbusters: Mais Além’. Imagem: Sony Pictures / Kimberley French © 2021 CTMG, Inc. All Rights Reserved

Um destaque coadjuvante diferente de Celeste O’Connor, que também acaba envolvida com os irmãos protagonistas no caso, porém vê-se limitada pelo roteiro a apenas um interesse amoroso de Trevor. Logo, diferente quarteto original de 1984 (que por mais que tenha Murray como preferido, ainda tem todos os membros tão populares quanto), os ‘Caça-Fantasmas’ de 2021 valoriza devidamente apenas 75% do grupo.

Já sobre o elenco adulto, cabe a função de apenas se divertirem nos papéis designados. Enquanto a atriz atua de forme segura e cumpre a promessa do começo do longa de ser uma forma de homenagem a um dos Caça-Fantasmas originais, o “Homem-Formiga” ajuda (e inclusive aparece) muito menos no filme do que aparenta nos trailers. Claro, o ator é tremendo como alívio cômico, mas acaba não impressionando tanto quando o público talvez possa esperar.

Imagino que estejam esperando que eu fale “deles”, não? Bem, como citado anteriormente, é complicado abordar na crítica algo que possa ser considerado spoiler e estragar a experiência de vocês ao assistirem ‘Ghostbusters: Mais Além’. Todavia, me limito a dizer que a premissa mais conhecida da franquia é correta: no momento em que é preciso chamá-los, os Caça-Fantasmas retornam com toda a plenitude e glória para lidar com o sobrenatural mais uma vez – em uma cena que fará os fãs delirarem!

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Paul Rudd ajuda no que pode como o professor “Mr. Grooberson”, mas não é tão relevante ao enredo. Imagem: Sony Pictures / Kimberley French © 2021 CTMG, Inc. All Rights Reserved

E mais: ouso a dizer que todo o filme, do começo ao fim, é uma homenagem mais que grata à vida e ao legado de Harold Ramis, que morreu em 24 de fevereiro de 2014. Fãs podem esperar ver o Dr. Egon Spengler por meio de clipes de arquivo e fotos tiradas dos dois longas originais – e, da mesma forma, sendo uma parte importantíssima da trama.

O público também pode esperar algumas surpresas em relação a mais retornos ao longo do filme e duas cenas pós-créditos que, aí sim, tem o propósito 100% em entregar nostalgia e referências à obra original. Vale ressaltar que os rumores estavam certos quanto a uma aparição surpresa de uma atriz conhecida pela série ‘House’ e um breve retorno de uma querida Sigourney Weaver como Dana Barrett.

No mais, vale destacar todo o aspecto oitentista feito pela produção. Além de acertar na troca da ambientação de Nova Pork pela pequena Sumerrville, em Oklahoma, tudo é praticamente impecável. A trilha sonora, a iluminação, os ângulos da câmera, o humor, as referências de retrocesso, as participações especiais, o roteiro… tudo se junta perfeitamente para criar a sensação formigante de que estamos assistindo uma história moderna, mas com “gostinho” dos clássico de uma época, como ‘Goonies’ e ‘Gremlins’.

‘Ghostbusters: Mais Além’ é, talvez, a melhor surpresa do ano

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Mckenna Grace e Finn Wolfhard em cena de ‘Os Caça-Fantasmas: Mais Além’. Imagem: Sony Pictures Releasing/Divulgação

Desnecessário ou não para a franquia, isso não importa. ‘Ghostbusters: Mais Além’ cumpre a promessa de ser o filme que os fãs tanto esperava após tantos anos e é uma lição bem dada para a indústria de como fazer uma história original com nostalgia na medida certa. O longa faz homenagem aos clássicos à medida que se constrói como único.

Atuações de ponta, referências e easter eggs aos montes e uma trama totalmente original são capazes, sim, de se juntar para entregar um tributo adorável ao primeiro filme e ser uma produção que deve agradar tanto os fãs da velha guarda quanto os mais novos. Isso, claro, além de ser uma sequência não vergonhosa para amar – sim, ‘Caça-Fantasmas’ de 2016. Estou falando de você.

Busca uma surpresa fora dos longas de heróis ou blockbusters que enchem as salas de cinema? Então, vá assistir ‘Ghostbusters: Mais Além’! O filme estreia no dia 18 de novembro nos cinemas de todo o mundo. Finn Wolfhard (‘It: A Coisa’), Mckenna Grace (‘A Maldição da Residência Hill’), Carrie Coon (‘The Sinner’) e Paul Rudd (‘Vingadores: Ultimato’) estrelam a produção, que também conta com o retorno de Bill Murray, Dan Aykroyd, Annie Potts e Sigourney Weaver.

Curiosidade: o sucesso do filme – e a vontade da Sony Pictures – ditarão se a franquia retornará ou não, mas mantenha em mente que o novo longa é uma história fechada, com começo, meio e fim. O que acontecerá a partir de agora, somente as bilheterias e a aceitação do longa poderão nos dizer. Confira a sinopse e trailer oficiais abaixo:

“Em Ghostbusters: Mais Além, quando uma mãe solteira e seus filhos se mudam para uma pequena cidade, eles começam a descobrir sua conexão com os caça fantasmas originais e o legado secreto que seu avô deixou para trás. O filme foi escrito por Jason Reitman & Gil Kenan.”

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