Apesar da Rússia minimizar o problema, o fato é que os destroços criados por seu teste de uma arma anti-satélite causaram um desconforto internacional. Mais ainda depois que a Numerica Corporation, uma empresa que monitora o lixo espacial na órbita da Terra, mostrou imagens de antes e depois do teste, mostrando o aumento de objetos despejados pela explosão de um antigo satélite soviético.

O teste em questão consistiu do disparo de um míssil contra um satélite soviético desativado. Embora a Rússia o tenha classificado como “bem sucedido”, a operação criou uma nuvem com cerca de 1.500 destroços. Entre outras possibilidades, o problema fez com que a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) procurasse abrigo em suas respectivas naves, por medida de segurança.

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Imagem mostra os destroços espaciais de teste militar russo
“Antes-e-depois” de monitoramento da órbita mostra volume de lixo espacial criado por teste militar russo: iniciativa gerou emergências à ISS e causou desconforto em diversos países (Imagem: Numerica Corporation/Divulgação)

As imagens acima foram compartilhadas pela parceira comercial da Numerica – a startup Slingshot Aerospace, no Twitter. À direita, é possível ver parte dos 1.500 destroços causados pela explosão. Autoridades norte-americanas condenaram o teste em diversas frentes – incluindo o administrador geral da Nasa, Bill Nelson, que chamou a atitude russa de “impensável” e “arriscada”.

De acordo com o site oficial da Numerica, a empresa conta com uma rede global de telescópios e usa um software proprietário de monitoramento em tempo real – ambos essenciais na detecção dos destroços criados pelo teste militar. Apesar de as imagens acima serem produzidas por ela, a empresa também reconhece a participação da Slingshot, que emprega uma tecnologia de análise de imagem para o fornecimento de dados.

“Nós vamos analisar os feeds de dados do governo dos Estados Unidos, bem como outras fontes, para apresentá-los aos operadores espaciais”, disse, por meio de comunicado, a gerente de marketing da Slingshot Aerospace. “Assim, poderemos determinar quais de seus recursos estão em risco alto de conjunção”, finalizou, referindo-se à possibilidade de colisão dos destroços com atividades espaciais governamentais e/ou privadas.

Além da ISS, a estação espacial chinesa Tiangong também está em relativa proximidade do trajeto orbital marcado pelos destroços do teste militar. No entanto, a agência que controla as atividades espaciais do país asiático – a CNSA – não informou se o módulo principal da estrutura (Tianhe) teve ou terá que fazer alguma manobra de evasão de objetos.

Apesar da situação delicada, os ânimos internacionais parecem estar esfriando, considerando que Rússia e EUA são os principais membros ativos da ISS graças a uma parceria que vem desde o final da década de 1990. De acordo com Dmitry Rogozin, chefe administrativo da agência russa Roscosmos, ele próprio conversou com Bill Nelson por telefone na última terça-feira (16): “tive uma conversa detalhada com o chefe da administração da NASA, o senador Nelson. As partes declararam [que está] tudo bem. Resumindo, estamos avançando, garantindo a segurança das nossas tripulações na ISS, fazendo planos conjuntos”, comentou o administrador russo em seu perfil no Twitter.

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