2021 está sendo um bom ano para os fãs da série Darius, uma das mais antigas entre os ‘shmups’ (jogos “de nave”). Apesar da franquia não ter ganho nenhum jogo novo, dois relançamentos chegaram aos principais consoles: ‘Dariusburst: Another Chronicle EX+‘, em agosto e, mais recentemente, ‘G-Darius HD’.

Em meu review, critiquei ‘Dariusburst: Another Chronicle EX+’ por causa de sua interface confusa, poucos extras e um layout de tela que torna o jogo em portáteis, como o Switch Lite, praticamente inviável. Felizmente, ‘G-Darius HD’ resolve ao menos dois destes problemas.

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‘G-Darius’ é mais um título que nasceu nos arcades, mais especificamente no sistema FX-1B da Taito, em 1997. Mas é mais conhecido, ao menos aqui no Brasil, pela excelente adaptação para o PlayStation lançada um ano depois. 

A versão relançada pela ININ Games para o PlayStation 4 e Switch é baseada na original do arcade. O jogo tem dois modos: no “clássico” ele roda com os gráficos originais, e no modo HD os gráficos são renderizados em uma resolução mais alta.

Isso elimina o “serrilhado” em alguns objetos (veja os pilotos na apresentação, por exemplo), mas não espere nenhum grande salto de qualidade: os modelos e texturas ainda são os mesmos do arcade, ou seja, não se trata de um “remake”. 

A adaptação de ‘G Darius’ para os consoles modernos foi feita pela M2, empresa japonesa que é mestre em resgatar títulos antigos e conhecida por sua dedicação e atenção aos detalhes. E realmente, nada “passou batido”. Pressionando ‘-‘ (ou Select) dentro do jogo é possível acessar uma enorme quantidade de opções, de dificuldade do jogo a opções gráficas e de som, incluindo a capacidade de remapear completamente os controles.

Puristas vão gostar de saber que nas opções de imagem é possível ativar o modo “Pixel Perfect”, onde a imagem retém a proporção exata do arcade, mesmo que não ocupe a tela inteira. Entretanto, filtros de suavização e scanlines só podem ser ativados no jogo rodando no modo original, não em HD.

Menu de opções permite personalizar o jogo nos mínimos detalhes. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Também há um modo “Fit to Screen”, onde ela é “esticada” para ocupar todo o espaço vertical, e Fullscreen, onde é estica na vertical e horizontal e ocupa toda a tela. Você pode escolher a imagem de fundo que será exibida nas partes da tela que não são usadas nos modos “Pixel Perfect” e “Fit do Screen”.

Como se trata de um jogo da M2, também é possível ativar e posicionar vários “gadgets”, mostradores que vão lhe dando estatísticas sobre a partida. O mais útil, na minha opinião, é o Music Title, que mostra qual música está tocando na fase atual. A série Darius é conhecida pela excelente trilha sonora composta pela banda da Taito, a Zuntata, e saber o nome das músicas ajuda a procurar remixes e outras versões depois.

Os “gadgets” ao lado da imagem são personalizáveis e mostram várias informações sobre o jogo. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Fora os 16 slots para savestates, não há nenhum outro recurso que impacte na jogabilidade, que é a mesma do original: você controla um caça Silver Hawk, defendendo o reino de Amnelia das máquinas do império Thiima. Máquinas que, mantendo outra tradição da série, são todas baseadas em criaturas marinhas.

Falando em tradição, ‘G-Darius HD’ mantém a capacidade de escolher o caminho a seguir ao terminar a fase, mas introduz uma novidade: você também tem que escolher um caminho no meio das fases.

Uma linha verde horizontal aparece dividindo a tela em duas, e vai encolhendo rapidamente. Se você estiver na metade superior da tela quando a linha sumir, seguirá o caminho “de cima”. Se estiver na metade inferior, seguirá o caminho “de baixo”. Isso pode levar a chefes diferentes no final da fase, e ajuda a adicionar variedade ao jogo.

A chave para o sucesso em ‘G-Darius HD’ é usar, e abusar, do sistema de captura: sua Silver Hawk é equipada com uma esfera que pode ser arremessada contra os inimigos. Se você acertar, o inimigo será capturado e vai lutar ao seu lado.

Cada inimigo tem armas e padrões de ataque diferentes, então capturar tudo o que aparece na tela é essencial para progredir. Os inimigos basicamente substituem os “power-ups” e múltiplas armas de outros jogos do gênero: em vez de esperar uma cápsula com um “Twin Shot” aparecer, você só precisa capturar o inimigo correspondente.

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Os inimigos capturados também podem ser sacrificados como bombas, e só com eles você consegue disparar o 𝛂-beam (segurando o botão de tiro por alguns segundos), um imenso laser que pode ser usado para contra-atacar os também imensos lasers disparados pelos chefes de fase.

Os inimigos capturados também aparecem na Capture Gallery, uma galeria que mostra informações sobre seu nome e hábitat, além de um percentual de captura. Ou seja, uma vibe “Pokémon” (Temos que Pegar!) para manter os colecionistas ocupados. A galeria pode ser acessada a qualquer momento, a partir do menu de opções, sem interferir na partida. Assim fica fácil saber se aquele inimigo que você acabou de capturar é “figurinha repetida”.

Inimigos capturados são adicionados a uma galeria, que mostra estatísticas como nome, força, onde são encontrados e o tipo de tiro que disparam. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

O único ponto negativo de ‘G-Darius HD’ são os momentos de lentidão (slowdown) que aparecem esporadicamente durante o jogo, ao menos jogando em um Nintendo Switch Lite. É algo que me surpreendeu, já que é possível emular a versão PlayStation do jogo até mesmo em um smartphone de 2012, e o arcade não é muito mais poderoso do que o console da Sony.

Esse slowdown acontece tanto no modo original quando no HD, então não é causado por uma GPU trabalhando “no limite”. Inicialmente, achei que era algo inerente do próprio jogo, mas observando vídeos no YouTube percebi que ele não acontece no arcade.

Apesar deste problema, ‘G-Darius HD’ é um jogo mais que recomendado para os fãs dos “shmups”. O jogo está disponível por R$ 150 nas lojas online da Nintendo e Sony, e no exterior também pode ser encontrado em versão física.

Testamos a versão de ‘G-Darius HD’ para o Nintendo Switch em um Switch Lite, com código gentilmente cedido pela ININ Games.

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