Oito anos depois de contrair o HIV, o vírus que causa a AIDS, uma mulher argentina teve uma excelente notícia: o invasor havia praticamente desaparecido de seu corpo. A notícia chocante deixou os pesquisadores com uma pulga atrás da orelha, já que eles não conseguiram encontrar evidências de qualquer partícula viral do HIV apesar da análise de um grande número de células de sangue e tecidos. Isso sugere que esta paciente pode ter naturalmente alcançado uma cura esterilizante, segundo o que os cientistas escreveram no jornal Annals of Internal Medicine.

Os médicos que atenderam a paciente disseram que ela pertence a um grupo raro de pacientes com HIV chamados de “controladores de elite”. Ou seja, embora o vírus esteja presente no sistema dessas pessoas, elas são capazes de manter uma carga viral baixa o suficiente para não desenvolver sintomas, mesmo sem tratamento. Apenas 1% das pessoas que possuem HIV têm essa condição.

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Isso representa o segundo caso conhecido de sistema imunológico de uma pessoa eliminando o HIV sem um transplante de medula óssea ou intervenção medicamentosa, de acordo com a STAT, uma revista especializada na cobertura de assuntos voltados à medicina. O primeiro caso foi em uma mulher da Califórnia, chamada Loreen Willenberg, que, em 2020, descobriu que o vírus estava ausente de seu corpo pela primeira vez em 27 anos.

Vírus causador da Aids na corrente sanguínea. Créditos: Shutterstock

Com a ajuda de tratamento, apenas duas outras pessoas – conhecidas como Paciente de Londres e Paciente de Berlim – já foram curadas do HIV depois de terem suas células imunológicas completamente substituídas por meio de terapia com células-tronco, de acordo com uma pesquisa publicada em 2020 no The Lancet.

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A mulher argentina foi apelidada de “Paciente Esperanza” para ter a identidade preservada, já que ainda há um estigma envolvendo o HIV e a AIDS. Ela está esperando seu segundo filho e já aproveita a vida livre do vírus.

Por enquanto, Willenberg e a Paciente Esperanza são casos especiais, mesmo entre controladores de elite. Mas a descoberta traz esperança na busca incessante pela cura para o HIV e para a Aids.

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