A primeira missão do programa Artemis, que pretende colocar novamente astronautas na superfície da Lua até 2025, não terá uma tripulação de carne e osso. Mas isso não significa que não haverá nenhuma “inteligência” a bordo: a Lockheed Martin, que desenvolve a espaçonave Orion a serviço da Nasa, está trabalhando com a Amazon em uma versão da assistente pessoal Alexa que poderá interagir com, e auxiliar, os astronautas.

O sistema é uma demonstração de tecnologia batizada de Callisto, em referência ao companheiro favorito da deusa grega Artemis. Ele consiste em um alto-falante Echo, com seu característico “halo” azul, um tablet rodando a plataforma de videoconferência Webex e integração de hardware e software feita sob medida por engenheiros da Lockheed Martin, Amazon e Cisco que permitirá que a Alexa funcione sem conexão à Internet e que o Webex rode usando a rede de comunicação Deep Space Network, da Nasa.

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“O computador de Star Trek foi parte de nossa inspiração original para Alexa, por isso é empolgante ver nossa visão de inteligência ambiental ganhar vida a bordo da Orion”, disse Aaron Rubenson, vice-presidente da Amazon Alexa. “Estamos orgulhosos de trabalhar com a Lockheed Martin para expandir os limites da tecnologia de voz e IA, e esperamos que o papel da Alexa na missão ajude a inspirar futuros cientistas, astronautas e engenheiros que definirão esta próxima era de exploração espacial”, afirmou.

O computador de Star Trek é uma comparação válida, mas a mim o sistema lembra mais HAL 9000, o computador “vilão” do filme “2001: Uma odisseia no espaço”.

Como a Artemis I é uma missão não tripulada, os parceiros da Callisto trabalharam com a NASA para construir uma experiência de tripulação virtual no Centro Espacial Johnson, em Houston, permitindo que os operadores interajam com Callisto a partir do centro de controle da missão.

Essas interações remotas irão testar e demonstrar como as tecnologias de colaboração de voz e vídeo podem ajudar os astronautas a melhorar a eficiência e a consciência situacional durante sua missão, fornecendo acesso ao status da missão e telemetria, e a capacidade de controlar dispositivos conectados a bordo da Orion, como a iluminação da cabine.

O vídeo e o áudio das interações serão transmitidos de volta para a Terra durante a missão, permitindo que os engenheiros analisem o desempenho dos sistemas de bordo enquanto também compartilham as interações com o público.

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A demonstração também permitirá que estudantes, famílias, fãs do espaço e o público em geral “peguem uma carona” na missão, acompanhando-a em seus aparelhos com Alexa dizendo “Alexa, take me to the Moon” (Alexa, me leve para a Lua, em inglês). Os recursos de colaboração em vídeo da Webex oferecerão oportunidades para a educação STEM (conjunto de disciplinas que engloba ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e participação em aulas remotas. 

Vale mencionar que Callisto é uma demonstração de tecnologia limitada à Artemis I. Ou seja, não há previsão de que o sistema seja integrado nas missões tripuladas (Artemis II ou III) do programa, nem que seja usado como principal interface entre os astronautas e a espaçonave. Ao menos por enquanto.

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