Uma nova pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Curtin, confirma que a frequência de colisões de asteroides que formaram crateras de impacto em Marte tem sido consistente nos últimos 600 milhões de anos.

Publicado na revista Earth and Planetry Science Letters, o estudo analisou a formação de mais de 500 grandes crateras marcianas usando um algoritmo de detecção de crateras anteriormente desenvolvido na Universidade, que conta automaticamente as crateras de impacto visíveis em uma imagem de alta resolução.

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Estudo usa algoritmo de Inteligência Artificial para datar as crateras de Marte e a frequência de impacto de asteroides. Imagem: Nazarii_Neshcherenskyi – Shutterstock

Apesar de estudos anteriores sugerirem picos na frequência de colisões de asteroides, a nova abordagem, cujo pesquisador principal é Anthony Lagain, da Escola de Ciências da Terra e Planetária de Curtin, descobriu que eles não variaram muito por muitos milhões de anos.

Lagain disse que contar crateras de impacto em uma superfície planetária era a única maneira de datar com precisão eventos geológicos, como cânions, rios e vulcões, e prever quando, e quão grande, seriam futuras colisões.

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“Na Terra, a erosão das placas tectônicas apaga a história do nosso planeta. Estudar corpos planetários do nosso Sistema Solar que ainda conservam sua história geológica inicial, como Marte, nos ajuda a entender a evolução do nosso planeta”, disse Lagain. “O algoritmo de detecção de crateras nos fornece uma compreensão completa da formação de crateras de impacto, incluindo seu tamanho e quantidade, e o tempo e frequência das colisões de asteroides que as fizeram”.

Algoritmo pode ser usado para analisar as crateras da Lua

Segundo Lagain, estudos anteriores apontavam que houve um pico no tempo e frequência de colisões de asteroides devido à produção de detritos. “Quando grandes corpos se chocam, eles se quebram em pedaços ou detritos, o que se acredita ter um efeito na criação de crateras de impacto”, disse o pesquisador. “Nosso estudo mostra que é improvável que os detritos resultem em qualquer mudança na formação de crateras de impacto em superfícies planetárias”.

Coautora e líder da equipe que criou o algoritmo, a professora Gretchen Benedix revelou que o algoritmo também poderia ser adaptado para trabalhar em outras superfícies planetárias, incluindo a Lua.

“A formação de milhares de crateras lunares agora pode ser datada automaticamente, e sua frequência de formação analisada em uma resolução maior para investigar sua evolução”, disse Benedix. “Isso nos fornecerá informações valiosas que podem ter aplicações práticas futuras na preservação da natureza e na agricultura, como a detecção de incêndios florestais e a classificação do uso da Terra”.

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