No mês de maio comemoramos o Dia das Mães. Após mais de 2 anos de pandemia, muitas famílias tiveram o privilégio de se reunirem novamente com suas figuras maternas, encontro que há muito era esperado e que merecia ser celebrado.

Por aqui, também tivemos a oportunidade de comemorar essa data tão importante. Estive com meus três filhos e nossa família, em um dia cercado de celebrações e alegria, mas também de muita reflexão sobre a maternidade, o papel que ela ocupa em minha vida e os desafios para que ela seja real, possível e equilibrada com os vários papéis que decidi assumir.

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Com o passar dos anos, percebo que não existe uma receita mágica e que é impossível “dar conta” de todas as demandas que surgem em nossas vidas. Minha experiência pessoal é bastante singular, mas ela também é parte de um desafio coletivo, enfrentado especialmente pelas mulheres que desejam equilibrar a maternidade e a carreira profissional.

Um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas, apontou que 50% das mulheres são demitidas após, aproximadamente, dois anos da licença maternidade. E em uma pesquisa da Ticket, marca de benefícios da Edenred Brasil, realizada no início de 2022 com 400 trabalhadores de todo o Brasil, revelou que 52% das mães respondentes já sofreram algum tipo de preconceito no ambiente profissional por terem filhos –entre os homens com filhos, apenas 15% deram a mesma resposta.

A pouca flexibilidade frente a esse novo momento na vida das mulheres leva cada vez mais as mães a buscarem sua própria dinâmica de trabalho. Diante desse cenário, abrir o seu próprio negócio parece ser a melhor alternativa para as que desejam e precisam continuar ativas profissionalmente.

As mulheres representam a metade dos microempreendedores individuais (MEI) existentes no país (48%). São 32 milhões de empreendedoras, que contribuem para que o Brasil atinja a marca da 7ª maior proporção global de mulheres em novos negócios. Olhando para a maternidade, são mais de 67 milhões de mães no Brasil, das quais 31% criam os filhos sozinhas e 46% trabalham fora dos seus lares, segundo dados da pesquisa do Instituto Data Popular.

A maternidade e o empreendedorismo feminino estão muito ligados. É isso o que mostra uma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora. De acordo com o estudo “Empreendedoras e seus negócios”, de 2019, 68% das empreendedoras decidiram investir no próprio negócio após se tornarem mães. Segundo o estudo Female Founder Report, no ecossistema de inovação, mais da metade das respondentes afirmam ter filhos (51,6%). Entre as fundadoras, mais de 30% indicou parcial ou total a não participação dos pais ou parceiros na criação dos filhos. A pesquisa também mostra que o quinto motivo principal pelo qual elas decidem empreender é para ter mais proximidade com os filhos.

A massiva presença de mulheres empreendedoras não as exime do peso da desigualdade de gênero. O estudo Female Founder Report evidencia que 90,2% das startups são fundadas exclusivamente por homens, e o mesmo ocorre com os investidores: em sua maioria são homens que, em 2020, destinaram apenas 0,04% dos mais de US$ 3,5 bilhões aportados no mercado para as startups lideradas apenas por mulheres.

Como vemos, o desejo de encontrar um espaço profissional que acolha a mulher-profissional-mãe ainda não é uma realidade para a maioria. Com isso, as situações preconceituosas e constrangedoras que antes eram vividas em entrevistas de emprego ou dentro das empresa, agora passam a acontecer nos pitchs e rodadas de investimentos, reuniões com clientes, eventos e capacitações, entre vários outros ambientes que fazem parte do ecossistema de inovação, predominantemente masculino.

Os desafios de desigualdade de gênero são profundos e estruturais, e se tornam ainda mais complexos diante a maternidade. Levará tempo até que possamos reverter tendências tão arraigadas, mas a mudança está em curso. Crescem o número de programas de formação para lideranças femininas –como o Women Leadership Network Program, da Universidade de Columbia–, as aceleradoras de startup focadas no fortalecimento de negócios liderados por mulheres e mães –como a B2Mamy– além de negócios disruptivos e inovadores que estão sendo pensados e implementados pelo e para o público feminino –como a startup EuEnsino, acelerada pelo BrazilLAB.

Ainda estamos muito distantes do cenário necessário e sonhado para a igualdade de gênero, mas os avanços, pequenos e constantes, me trazem a esperança de que um futuro diferente possa ser construído. Nele, as mulheres terão o direito de contribuir com o avanço da sociedade, trazendo toda a potência do feminino para o benefício da coletividade. E também poderão exercer a maternidade em sua plenitude, com amparo e valorização.

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